Encontro debaterá Amazônia e sustentabilidade

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Jornalistas dos Estados da região se reúnem de 29 a 31 de maio, em Porto Velho (RO), para discutir problemas da Amazônia. A iniciativa é da Fundação Banco do Brasil 
RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


BRASÍLIA – O Grão-Pará e Maranhão, que englobava a Amazônia Clássica (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima) e o estado do Maranhão, hoje integrante da Região Nordeste, foi uma das duas colônias portuguesas na América do Sul. A outra era o restante do atual Brasil.

Pois bem, os portugueses escravizaram os índios locais, que, juntamente com os escravos africanos, trabalhavam até morrer juntando todo tipo de riquezas, que eram levadas para a aristocracia portuguesa, principalmente madeira e ouro, bem como alguns índios, que serviam de bobos da corte em Lisboa e outras cortes. Essa foi a primeira fase do colonialismo amazônico.

A segunda e atual fase apresenta três exemplos bem-acabados: o primeiro deles é a exploração hidroelétrica na região. Peguemos o estado do Pará, onde fica a maior hidroelétrica nacional, Tucuruí. Metade dos municípios paraenses não conta com energia firme e muitas localidades do Pará não contam com energia elétrica alguma. Tucuruí alimenta os fornos da Albrás-Alunorte, onde se industrializa lingotes de alumina para o Japão. Antigamente, o Japão importava a bauxita. Como se vê, não é mais preciso colonizar a Amazônia a ferro e fogo, como fizeram os portugueses.

O segundo exemplo é o da Vale, que exporta principalmente ferro, também no Pará, mas não fica um tostão para caboclo algum.

O terceiro exemplo é a exploração ilegal de madeira, que vai para São Paulo e a Europa; e a ocupação da floresta derrubada por gado e soja.

O caboclo, o ribeirinho, se for flagrado pelo Ibama matando um jacaré para tirar a barriga da fome, apodrecerá, ou morrerá assassinado, numa das cadeias lotadíssimas das cidades da Amazônia.

Desde sempre que se faz confusão com desenvolvimento sustentável. Muita gente boa pensa que se trata de explorar a floresta de modo a produzir sempre. É isso, desde que a riqueza extraída sirva para o desenvolvimento do aborígene, e não para Mensalões.

Como se vê, a Amazônia continua colônia, agora de Brasília. Contudo, essa situação ocorre mais em decorrência de certa elite, que chafurda na desgraça do amazônida da floresta, ou da periferia. Exemplo clássico é o do atual presidente do Senado, o maranhense José Sarney, que se elegia pelo PMDB do estado do Amapá. Sarney só aparecia em Macapá em épocas de eleições. Agora, nem isso; foi eleito até 2019 e é provecto.

A massa é manobrada a troco de esmola. Daí porque o imperador Lula tem praticamente 100% de aprovação no estado do Amazonas. E como a Amazônia continua uma região mergulhada na Idade Média, muita gente que tem algum poder se espoja na desgraça alheia, incluindo escravidão, estupro e tráfico

Suécia tem cidade sem lixo

Agência Fapesp



Borás, a cidade sem lixo, mostra que progresso não precisa produzir sujeira. 
[Imagem: Wikimedia]

Em Borás, na Suécia, a maior parte dos resíduos sólidos gerados pela população de cerca de 64 mil habitantes é reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biogás), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 ônibus que integram o sistema de transporte público da cidade.


Em função disso, o descarte de lixo no município sueco é quase nulo, e seu sistema de produção de biogás se tornou um dos mais avançados da Europa.

"Produzimos 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de resíduos sólidos. Para atender à demanda por energia, pesquisamos resíduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros países para alimentar o gaseificador", disse o professor de biotecnologia da Universidade de Borás, Mohammad Taherzadeh.

Taherzadeh falou durante o encontro acadêmico internacional Resíduos sólidos urbanos e seus impactos socioambientais, realizado em São Paulo.

Promovido pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Borás, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na área para discutir desafios e soluções para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, com destaque para a experiência da cidade sueca nesse sentido.

Gestão de resíduos sólidos

De acordo com Taherzadeh, o modelo de gestão de resíduos sólidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e instituições de pesquisa, começou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legislação que baniu a existência de aterros sanitários nos países da União Europeia.

Para atender à legislação, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os resíduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.

Dos pontos de coleta, os resíduos seguem para uma usina onde são separados por um processo óptico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incineração.

"Começamos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regiões metropolitanas como a de São Paulo. Outras metrópoles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na eliminação de aterros sanitários. O Brasil poderia aprender com a experiência europeia para desenvolver seu próprio modelo de gestão de resíduos", afirmou Taherzadeh.

Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro

Em dezembro de 2010, foi regulamentado o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanitários no país até 2015 e tipifica a gestão inadequada de resíduos sólidos como crime ambiental.

Com a promulgação da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil dê um salto em questões como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no país.

"Lei do lixo" prevê logística reversa e cuidados com lixo eletrônico

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 18% dos 5.565 municípios brasileiros têm programas de coleta seletiva de lixo. Mas não se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses municípios.

"Acredito que a coleta seletiva de lixo nesses municípios não atinja 3% porque, em muitos casos, são programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega voluntária, que não funcionam efetivamente e que são interrompidos quando há mudanças no governo municipal", avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado sobre esse tema na Faculdade de Saúde Publica da USP em fevereiro.

Coleta seletiva e reciclagem

Na região metropolitana de São Paulo, que é responsável por mais de 50% do total de resíduos sólidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no país, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.

"É um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem tão ínfimo. Isso se deve a um modelo de gestão baseado na ideia de tratar os resíduos como mercadoria, como um campo de produção de negócios, em que o mais importante é que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, terá menos lixo e menor será o lucro das empresas", disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Nesse sentido, para Raquel, que é relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a questão do tratamento dos resíduos sólidos urbanos no Brasil não é de natureza tecnológica ou financeira, mas uma questão de opção política.

"Nós teríamos, claramente, condições de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas não estamos fazendo isso por incapacidade técnica ou de gestão e sim por uma opção política que prefere tratar o lixo como uma fonte de negócios", afirmou.

Produtos verdes

A pesquisadora também chamou a atenção para o fato de que, apesar de estar claro que não será possível viver, em escala global, com uma quantidade de produtos tão gigantesca como a que a humanidade está consumindo atualmente, as políticas de gestão de resíduos sólidos no Brasil não tratam da redução do consumo.

"O modelo de redução da pobreza adotado pelo Brasil hoje é por meio da expansão da capacidade de consumo, ou seja: integrar a população ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos serão tratados depois de descartados não é visto como um problema, mas como um campo de geração de negócios", disse.

Na avaliação de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas à redução da produção de resíduos, agravaram a situação na medida que se tornaram novas categorias de produtos que se somam às outras. "São mais produtos para ir para o lixo", disse.

Gaseificadores

Uma das alternativas tecnológicas para diminuir o volume de resíduos sólidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incineração em gaseificadores para transformá-los em energia, como é feito em Borás.

No Brasil, a tecnologia sofre resistência porque as primeiras plantas de incineração instaladas em estados como de São Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produção de compostos perigosos como as dioxinas, além de gases de efeito estufa.

Entretanto, de acordo com José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, grande parte desses problemas técnicos já foi resolvida.

"Até então, não se sabia tratar e manipular o material orgânico dos resíduos sólidos para transformá-lo em combustível fóssil. Mas, hoje, essa tecnologia já está bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a matéria orgânica do lixo brasileiro, que é maior do que em outros países, em energia renovável e alternativa ao petróleo", destacou.
 

Balanço ecológico é favorável ao setor de cimento no Brasil

Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP, afirma que indústria cimenteira do país é referência para o mundo em inovações ambientais
Por: Altair Santos

Um setor que tem índice de conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) de quase 100% e que investe maciçamente em seu parque industrial, sobretudo em inovações voltadas ao meio ambiente. É assim que se comporta a indústria nacional de cimento, como revela a entrevista com o gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) Arnaldo Forti Battagin. Segundo ele, as cimenteiras do país são hoje referência mundial, além de tornarem-se estratégicas para o desenvolvimento econômico do Brasil. Confira:
 
Arnaldo Forti Battagin: “É tradição do cimento brasileiro primar pela qualidade.”

O cimento brasileiro é um dos produtos de mais alta qualidade produzido no país. Pelo PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) atingiu índice de conformidade de 99,6%. A que se deve essa excelência do produto?
Sem dúvida esses números foram conseguidos pela cultura da qualidade estabelecida no setor de cimento há muito tempo. Quando se fala sobre conformidade, o termo se refere à conformidade às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e é necessário esclarecer que as primeiras normas da ABNT, envolvendo todos os setores, foram sobre cimento. São as antigas EB-1 e MB-1 – Especificação de cimento e Métodos de ensaio de cimento -, respectivamente. Portanto, é tradição do cimento brasileiro primar pela qualidade.
Além do PBQP-H e das normas da ABNT, existe também o selo de qualidade da ABCP. O que esse selo exige para que uma empresa possa conquistá-lo?
Existe um procedimento que regula a concessão do selo e a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) usa o modelo 5 da ISO. Na verdade, o selo é concedido ao produto e não à empresa, e para consegui-lo essa empresa precisa ser associada da ABCP e evidenciar conformidade de seu cimento às normas da ABNT. Em linhas gerais, isso é feito através de amostragens periódicas de cimento nas próprias fábricas, geralmente feitas por órgãos coletores, qualificados pela ABCP. Essas amostras são divididas e uma parte é analisada na fábrica e outra na ABCP ou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Os resultados são confrontados e não havendo diferenças significativas servem para avaliar os resultados do autocontrole. Esse autocontrole consiste na análise diária de todo cimento produzido e a cada 45 dias o conjunto desses resultados de análise – no jargão, conhecido como mapão de autocontrole. Os resultados são enviados à ABCP, para tratamento estatístico, que decide pela continuidade ou não da concessão do selo de qualidade ABCP para cimento Portland.
Hoje todas as cimenteiras do Brasil estão adequadas à ABNT, ao PBQP-H e têm o selo de qualidade da ABCP?
Os sites dessas entidades indicam quais produtos possuem esse diferencial, mas o importante para o consumidor é ter a garantia de que estão adquirindo um produto que tenha um selo ou marca de conformidade concedida por uma entidade idônea.
Em quais áreas a indústria cimenteira mais investiu recentemente: tecnologia para melhorar o produto, equipamentos para fazer o controle ambiental ou na expansão de seus pólos industriais?
Os investimentos vêm progredindo ao longo do tempo. Tanto, que hoje o setor apresenta um parque industrial moderno, que opera com 99% dos fornos pelo sistema via seca, o que garante a diminuição do uso de combustíveis em até 50%. Além disso, os altos níveis de eficiência energética são conseguidos com pré-aquecedores e pré-calcinadores que reaproveitam os gases quentes da saída do forno para pré-aquecer a matéria-prima, previamente à entrada do forno, diminuindo o consumo de combustíveis. Multiqueimadores desenvolvidos para queima simultânea de combustíveis alternativos e convencionais (coque de petróleo, óleo combustível e carvão mineral e vegetal), sistemas de filtro de alto desempenho, monitoramento on line de gases para controle ambiental e do processo fazem com que sejam praticados índices específicos de consumo térmico médio de 2730 MJ/t de cimento (653 kcal/kg ou 825 kcal/kg de clínquer). Adicionalmente, graças aos moinhos e separadores de alta eficiência, o consumo elétrico de 107 kWh/t de cimento, atingiram metas que são reconhecidas como parâmetros de referência em âmbito mundial segundo a Agência Internacional de Energia.
A indústria do cimento no Brasil, comparado com outros setores, emite bem pouco CO₂. No entanto, sempre é citada como uma das vilãs quando o assunto é agressão ao meio ambiente. Por que ela não consegue ser excluída deste grupo? Falta mais divulgação das ações, no que se refere ao controle ambiental?
Não acredito que deva ser considerada vilã, mas é necessário reconhecer que a fabricação de cimento gera impactos ambientais. Isso não é exclusividade do setor, mas de toda a cadeia da construção, como a produção de agregados, a indústria da cal, da areia, do aço, dos aditivos químicos e das tintas. Ao mesmo tempo, essa mesma indústria da construção é considerada um dos principais indicadores de desenvolvimento de uma nação, representando o crescimento real das áreas urbanas, organização e reorganização dos sistemas de infraestrutura  e obras necessárias ao desenvolvimento social. O cimento, através do concreto, está presente nesse processo como o material mais produzido e utilizado nas construções brasileiras, sendo empregado em edificações, pontes, estradas, barragens e outros tipos de obras.  Resumindo, seu uso crescente implica também em atividades impactantes, assim como o próprio desenvolvimento econômico de um país gera situações de impacto ao ambiente. Enfrentar esse desafio é um dever de todo o setor da construção civil. Neste sentido, a ABCP, como representante dos fabricantes de cimento, procura cumprir seu papel ao promover boas práticas e difundir o conhecimento sobre vantagens competitivas do concreto, novas tecnologias e prevenção de patologias, que visam o aumento da durabilidade e da vida útil das estruturas de concreto, com o objetivo de reduzir o consumo de matérias-primas, a geração de poluentes, o consumo energético e os custos adicionais com reparos, renovação e manutenção das construções. E assim demonstrar que o balanço ecológico é favorável para o setor de cimento.
No universo acadêmico brasileiro, o cimento é objeto de pesquisas ou são incipientes os estudos sobre o produto nos centros de pesquisa das universidades?
Para responder essa questão torna-se oportuno esclarecer que diferentemente do concreto, cuja inovação é bastante visível, com pesquisas acadêmicas que resultaram no aparecimento dos concretos de pós-reativos, concretos de elevadíssimas resistências, concretos autolimpantes, concretos autoadensáveis, o cimento Portland, como material, já atingiu um alto patamar de qualidade e competitividade e de tecnologia de fabricação. O grande desafio que ora se configura para a indústria de cimento mundial é a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa, principalmente o CO₂, por fazer parte do processo de fabricação desse insumo. Portanto as inovações ou pesquisas têm se direcionado à mitigação das emissões de CO₂. Embora existam importantes pesquisas em várias universidades brasileiras, elas são essencialmente pontuais. A universidade não vem contribuindo efetivamente para o tema.
Em termos de inovação, o que a indústria cimenteira brasileira tem feito para melhorar os agregados do cimento e aproveitar os resíduos na fabricação do produto?
A geração de resíduos representa um dos maiores desafios para a sociedade contemporânea. Atenta a essa questão, a indústria de cimento está utilizando seus fornos para a eliminação de resíduos industriais, numa atividade conhecida como coprocessamento. Para praticar o coprocessamento vem fazendo investimentos constantes para adaptar o processo produtivo para uso dos resíduos, quer como combustível alternativo quer como substituto de matéria-prima. Além dos benefícios ao meio ambiente, a atividade contribui para a economia de combustíveis fósseis e recursos naturais não renováveis, possibilita o melhor aproveitamento das matérias-primas, gera expressiva quantidade de empregos diretos e indiretos. O coprocessamento representa uma integração ambientalmente segura dos resíduos industriais com o processo de elaboração do cimento e é regulamentada, em nível nacional, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). É uma alternativa economicamente competitiva com relação à disposição em aterros e incineração, e, ao contrário desses, se caracteriza pela destruição total de grandes volumes de resíduos, sem geração de novos passivos ambientais. Isso está contemplado como técnica de gestão ambiental na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo governo em agosto de 2010. Os principais resíduos coprocessados como combustíveis nas fábricas são: pneus, resíduos de tecidos, plásticos, misturas de resíduos sólidos das indústrias petroquímica, química, automobilística, siderúrgica, de alumínio, de embalagens e celulose, mistura de resíduos pastosos da indústria química e petroquímica, como borras de tintas; líquidos e outros. Como substituto de matéria-prima: resíduos das indústrias de alumínio e siderúrgica, solos contaminados, lamas de estação de tratamento de esgotos e similares.
Recentemente, por causa da alta demanda de consumo no Brasil, algumas grandes construtoras importaram cimento, principalmente o chinês. Além disso, algumas cimenteiras também importaram clínquer. Esse cimento vindo de fora, assim como o clínquer, tem qualidade ambiental?
Desconheço o assunto no que diz respeito à qualidade ambiental, pois a questão é inerente ao país de origem. O que a ABCP tem feito, efetivamente, é monitorar a qualidade desses cimentos importados pelas nossas associadas. Posso afirmar que eles são comparáveis aos cimentos brasileiros.
Comparado com o cimento produzido em outros países, dá para dizer que o cimento brasileiro é o mais ambientalmente correto do mundo?
Indubitavelmente a indústria do cimento no Brasil tem sido referência mundial na questão ambiental em publicações da Agência Internacional de Energia e da CSI, do WBCSD, sigla em inglês da Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Os números e gráficos a seguir economizam as palavras. De fato as figuras 1 e 2 apresentam a comparação dos índices de eficiência pelos vários países segundo dados referentes a 2003, compilados pelo SNIC (2009).


Figura 1 – Consumo comparativo de energia elétrica na produção de cimento (SNIC, 2009).


Figura 2 – Consumo comparativo de energia térmica na produção de cimento (SNIC, 2009).

A Figura 3 mostra que a indústria de cimento no Brasil apresenta um dos menores índices de emissão específica de CO₂: ou seja, aproximadamente 620 kg/tonelada de cimento, constituindo referência mundial do setor.

Figura 3– Comparação das taxas de emissão de CO2 no período 1990 a 2008 (WBCSD-CSI, 2009)

Entrevistado
Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)
Currículo

- Geólogo pelo Instituto de Geociências da USP (1974)
- Gerente dos laboratórios da ABCP
- Especialista nas áreas de tecnologia básica de cimento e concreto, durabilidade do concreto, técnicas experimentais e gestão da qualidade
- Representante da ABCP  nas comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
- Autor e co-autor de mais de 60 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais
-  Membro e representante da ABCP no Conselho Diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).
Contato:
arnaldo.battagin@abcp.org.br
Crédito: Divulgação/ABCP
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
 Fonte: Cimento Itambé

Maior projeto de CCS do planeta recebe luz verde

Fonte: Carbono Brasil
A tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é considerada uma opção para o período de transição dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia. 
Muitos países, como Inglaterra e China, extremamente dependentes do carvão, enxergam nela a única forma de limpar sua matriz energética rapidamente sem precisar cortar o consumo de forma radical. Outro país que compartilha essa visão é o Canadá, que anunciou nesta terça-feira (26) o início da construção do maior projeto de CCS do mundo na usina de Boundary Dam, na província de Saskatchewan.

A iniciativa terá um custo estimado de US$ 1,31 bilhões e será gerenciada pela geradora SaskPower. O objetivo é a captura de um milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano a partir de 2014. “A liberação deste projeto em conjunto com os investimentos contínuos em fontes limpas devem garantir um futuro mais verde para todos. Boundary Dam será uma líder mundial, a primeira usina em escala comercial com um sistema de captura e armazenamento de carbono integrado” declarou o ministro canadense Rob Norris, que é responsável pela gestão da SaskPower.

O projeto conta com a parceria da Hitachi e da Cansolv, uma subsidiária da Shell. A Cansolv está disponibilizando as técnicas para o processo de armazenamento, enquanto a Hitachi produzirá a primeira turbina do mundo desenhada especificamente para a captura de gases. Uma das novidades da iniciativa está na reutilização dos gases capturados, em especial do CO2 e do dióxido de enxofre (SO2). O CO2 será vendido para que seja usado na extração de resquícios de petróleo em poços abandonados. Já o SO2 será negociado com a indústria química para ser matéria prima de outros compostos, como o ácido sulfúrico.

“Ninguém investiria US$ 1,31 bilhões em algo sem a certeza de que será economicamente viável”, afirmou Robert Watson, presidente da SaskPower, que informou ainda que durante a construção mais de 600 empregos diretos e 6000 indiretos deverão ser criados. O governo canadense entrou com U$ 252 milhões no projeto, o restante dos recursos vieram da própria SaskPower.

Além dos custos financeiros, o sistema de CSS vai ter um impacto na geração energética da usina. Na unidade em que vai ser instalado, a geração vai cair de 139MW para 110MW, devido ao efeito “parasita” da tecnologia, que precisa de uma grande quantidade de energia para funcionar. Porém, se tudo sair conforme o planejado, o CCS vai permitir que a usina de Boundary Dam, construída em 1957 e principal fornecedora de energia para a província de Saskatchewan com mais de 800MW, continue sendo utilizada por várias décadas, poupando uma grande quantidade de recursos públicos que seriam utilizados na construção de novas instalações.

“O governo canadense está preparando medidas mais severas para o controle de emissões, o sucesso desse projeto é fundamental para que o carvão siga sendo uma alternativa viável para o país”, esclareceu Norris. O CCS sofre criticas justamente por possibilitar essa extensão do uso dos combustíveis fósseis e talvez por desencorajar investimentos em fontes limpas de energia. Porém, parece claro que as alternativas de “carvão limpo” vão se multiplicar pelo mundo, impulsionadas por interesses de grupos industriais já consolidados. Um meio termo entre as tecnologias que “limpam as fontes sujas” e as de energia renováveis deve ser encontrado para que a economia de baixo carbono se torne uma realidade o mais rápido possível.
 

Prêmio Mercosul de C&T recebe inscrições

Destinado a estudantes, jovens pesquisadores e equipes de pesquisa, a premiação tem como tema em 2011 “Tecnologias para o desenvolvimento sustentável”

Agência FAPESP – Estão abertas as inscrições para o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2011, que selecionará trabalhos de estudantes, jovens pesquisadores e equipes de pesquisa com contribuição potencial para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países membros e associados ao Mercosul – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Aberto a estudantes e pesquisadores vinculados – por nacionalidade, naturalidade ou residência – aos países do bloco econômico, o tema deste ano é “Tecnologias para o desenvolvimento sustentável”.

O prêmio está dividido em quatro categorias: "Iniciação Científica", voltada a estudantes do ensino médio; "Estudante Universitário", indicada para graduandos do ensino superior; "Jovem Pesquisador", categoria individual para pesquisadores graduados que tenham no máximo 35 anos de idade; e “Integração”, destinada a pesquisadores de dois países diferentes do Mercosul.

Os trabalhos podem abordar questões relacionadas à redução das desigualdades sociais, conservação da biodiversidade e dos ecossistemas, aumento do bem-estar, aprimoramento dos sistemas sociais mantidos ao longo do tempo e adoção de novos paradigmas de desenvolvimento econômico que levem em conta a redução do impacto da ação humana sobre o meio ambiente.

O prazo para envio dos trabalhos termina em 22 de agosto e a cerimônia de entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia será realizada em novembro, no Uruguai.

Criado pela Reunião Especializada em Ciência e Tecnologia do Mercosul (RECyT), a premiação conta com o apoio de instituições como Unesco, CNPq, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina e Ministério de Educação e Cultura do Uruguai. 
 
Mais informações e inscrições: eventos.unesco.org.br/premiomercosul

Estratégia de biodiversidade da UE pretende calcular valor da natureza

Jéssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil

 
Nesta quarta-feira (4/5), a União Europeia pretende apresentar uma estratégia de biodiversidade para 2020, com o objetivo de criar um mecanismo que atribua valor financeiro à natureza e que poderá ser agregado às futuras políticas ambientais, incluindo o meio ambiente e os ecossistemas em planos econômicos nacionais. O plano vai medir o capital natural da Europa e integrar o valor dos serviços ecossistêmicos nas políticas ambientais.

O projeto tem bases nos estudos da Joint Research Centre, que mapeia os serviços ecossistêmicos da UE e cujo primeiro projeto, conhecido como ‘o atlas dos serviços ecossistêmicos’, foi publicado em março deste ano. A estratégia também se ampara em informações da Agência Europeia do Ambiente (EEA em inglês) sobre serviços de ecossistemas da Europa.

O trabalho ‘Base de referência para a biodiversidade europeia’, publicado pela EEA em junho de 2010, apontou que a maioria dos serviços ecossistêmicos não está mais capacitada para gerar serviços básicos – como polinização de plantações, ar e água limpos, e controle de enchentes e erosão – em boa qualidade e quantidade.

François Wakenhut, presidente da unidade de biodiversidade da Comissão Europeia, atentou para a importância que o estudo de base de referência teve na criação de políticas ambientais e no desenvolvimento de estratégias de biodiversidade precisas, e afirmou que “precisamos ser capazes de medir o que nós estamos administrando”.

“Há uma necessidade para valoração econômica dos benefícios e custos de proteger a biodiversidade para progredir e orientar a criação de políticas, mas é necessário estar ciente de que nem tudo pode ser valorado em termos monetários”, garantiu Wakenhut. Além da valoração da água, do solo e das florestas, espera-se que as políticas ambientais também estabeleçam princípios de custos de poluição para proteger a natureza.

A atual política de natureza e biodiversidade da UE apoia-se na rede de áreas protegidas Natura 2000, que hoje em dia atinge 18% da área terrestre do bloco. No entanto, de acordo com a UE, os futuros serviços ecossistêmicos não podem depender somente das áreas protegidas, e os 82% restantes também devem gerar esses serviços. Para isso, é necessário investir em capital natural, ou ‘infra-estrutura verde’.

“A administração da infra-estrutura será um elemento-chave para a nossa estratégia futura de biodiversidade”, afirmou Wakenhut, salientando a necessidade de investir em soluções que se baseiem nos serviços ecossistêmicos e reconheçam “o potencial rentável oferecido pela abordagem sistêmica da infra-estrutura verde”.

Um exemplo é o plano para conter as cheias do rio Danúbio, que custou € 180 milhões para ser implementado, € 220 milhões a menos do que os fundos utilizados só em 2005 para recuperar a região do rio dos estragos e danos causados pelas enchentes. A Comissão Europeia espera apresentar uma iniciativa de infra-estrutura verde até o final de 2011. De acordo com a UE, investir em capital natural também cria oportunidades para a ‘restauração’ de ecossistemas.

A estratégia de biodiversidade da UE também está em consonância com os compromissos firmados na Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, que aconteceu em Nagoya em outubro de 2010.

Na reunião, cerca de 190 países concordaram em cumprir as ‘20 Metas de Biodiversidade de Aichii’, que incluem a integração dos valores de biodiversidade com estratégias políticas nacionais e locais e a eliminação de subsídios prejudiciais ao meio ambiente, através do desenvolvimento de incentivos para a conservação.

A UE agora planeja desenvolver mais sistemas de incentivos econômicos que incluam tanto financiamentos públicos quanto privados, com o objetivo de potencializar esses sistemas. Wakenhut enfatiza que é necessário considerar as transações financeiras ambientais como uma possível forma de desenvolvimento de projetos – em particular em áreas que ainda não estejam protegidas por legislações relacionadas à biodiversidade.

Em relação às dimensões mundiais dos incentivos econômicos verdes, os principais mecanismos financeiros ainda estão sendo debatidos e “serão um dos principais pontos discutidos no próximo ano em Delhi”, garantiu Wakenhut.

Fonte: (Instituto CarbonoBrasil)

Florestas energéticas e resíduos produzem bio-óleo

Embrapa Agroenergia testa o bio-óleo combustível, produto capaz de substituir o petróleo. Amazônia fornece parte das matérias-primeiras da nova descoberta

 
Utilizando madeira de eucalipto no processo de pirólise rápida, a Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) produziu bio-óleo que também pode ser fabricado a partir de quase todos os tipos de materiais orgânicos.

O processo de pirólise é conhecido industrialmente – está presente na indústria do petróleo, de carvão mineral e, principalmente, na agroindústria do carvão vegetal. “A aplicação de que estamos falando é a pirólise rápida que transforma termoquimicamente partículas moídas de biomassa, no formato de serragem, em bio-óleo combustível”, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio Rocha.

E ainda produz o biocarvão, que pode ser utilizado como fertilizante, até mesmo em sistemas de produção orgânica, e em muitas outras aplicações, como por exemplo, na prevenção da poluição ambiental e na descontaminação de corpos d’água e de solo impactados por metais tóxicos.

Embora ainda pouco conhecido, o bio-óleo tem grande potencial para substituir o petróleo, com vantagens, em várias aplicações. O bio-óleo é um combustível orgânico, renovável e derivado do processamento de resíduos agrícolas e florestais. Trata-se de um óleo negro e de odor característico que sai com alto rendimento do processo de pirólise ou degradação térmica acelerada.

Bagaço de laranja é testado

Diversos resíduos foram utilizados nos experimentos realizados em uma planta-piloto na Universidade de Campinas (Unicamp), podendo ser citados: capim elefante, palha de cana-de-açúcar, casca de arroz, casca de café, restos de cultura de milho e tabaco etc.

Entre as matérias-primas testadas pela Embrapa Agroenergia, o bagaço de laranja e a madeira de eucalipto são as melhores biomassas para produção de bio-óleo e de carvão vegetal. De acordo com Rocha, o bio-óleo rende até 60% em massa comparativamente à matéria-prima usada, ou seja, uma tonelada de serragem pode render até 600 kg de bio-óleo.

A substituição de óleo combustível BPF, derivado de petróleo, gera energia elétrica e emite menos gases de efeito estufa. Além da geração termelétrica, o bio-óleo pode ser usado como insumo químico, em resinas e aditivos e como fungicida. Uma aplicação recente, ainda em estudo, é a produção de gás de síntese para produzir fertilizantes, combustíveis e derivados semelhantes aos de petróleo, mas por via renovável.

Esse é o conceito de Química Verde, que vem ganhando adeptos e significa substituir as matérias primas tradicionais e geralmente poluentes por insumos derivados de biomassa. Isso vai significar além da trocas das matérias-primas, grandes mudanças tecnológicas e para isso o Brasil está se preparando. “Atualmente, temos matérias-primas e também tecnologia de conversão, afinal, a rota termoquímica é viável”, afirma o pesquisador.

Tecnologia inovadoras

As florestas para uso energético têm a possibilidade de garantir o fluxo de matérias-primas para as tecnologias inovadoras que o país tanto precisa. A mitigação das mudanças climáticas e principalmente o combate à poluição ambiental estão diretamente ligados a substituição dos combustíveis fóssil e nuclear pela energia renovável da biomassa. O desenvolvimento de tecnologias inovadoras que transformem os resíduos de biomassa em energia renovável proporciona melhores condições de vida para quem vive nas grandes cidades e gera emprego e renda para quem produz nas regiões rurais.

Essa ação faz parte do Projeto Florestas Energéticas, liderado pela Embrapa Florestas, com a parceria de unidades da Empresa e de instituições públicas e privadas nacionais. O projeto contempla pesquisas na área de expansão de plantios florestais, de tecnologias ligadas aos usos tradicionais da madeira, bem como a utilização de tecnologias inovadoras para produção biocarvão, bio-óleo, etanol e celulignina, além de avaliação dos impactos ambientais de plantios florestais. “O projeto florestas energéticas está alavancando tecnologias desse perfil e para isso as parcerias são fundamentais. Quem ganha é o país e a sociedade”, explica José Dilcio Rocha.

Fonte: Agência Amazônia de Notícias, adaptado por Painel Florestal