Conheça a Ecohouse - espaço ecológigo para eventos

Ao observar a movimentação de tantas crianças durante uma festa, o chef Eric Thomas teve uma ideia brilhante: transformar toda aquela agitação em energia. Depois de pesquisar projetos sustentáveis em países da Europa, Eric decidiu criar a EcoHouse, primeiro espaço para eventos ecologicamente correto da América Latina. Inaugurado em 2010, o empreendimento tem como uma das principais inovações justamente o sistema de geração de energia. Uma placa instalada no chão transforma as pegadas das pessoas em energia e luz da cozinha, restaurante, bar e pista de dança.

A casa também possui sistema que capta e armazena a água da chuva, utilizada para limpeza e manutenção do jardim. Plantas dispostas nas paredes da casa, além de decorar o ambiente, garantem uma boa acústica e o controle da umidade. Segundo Eric, o custo da obra custou cerca de 20% mais caro do que o de uma obra convencional. “Minha intenção com a EcoHouse é mostrar que é possível construir e administrar com práticas sustentáveis. Após cada evento, enviamos um relatório ao cliente para mostrar o quanto ele deixou de consumir de energia. E as pessoas sempre têm uma reação positiva, pois ficam contentes ao saber que, de certa forma, ajudaram a preservar o meio ambiente”, conta Eric.

Artesanato com casca de ovos gera renda



Técnicas artesanais são importantes para geração de renda, além de funcionarem como arte-terapia. 

Retrofit muda edifícios, estádios e cidades

Intervenções arquitetônicas ajudam a adequar edificações antigas ao conceito de prédio verde e recuperam áreas degradadas dos grandes centros urbanos
Por: Altair Santos

O Brasil vive uma onda de retrofit. Prédios públicos, edifícios localizados nos centros das grandes cidades e até estádios têm sido alvo de intervenções arquitetônicas, que ampliam a vida útil e modernizam seus projetos. A certificação de prédio verde estimula essas revitalizações, como explica o professor Orlando Pinto Ribeiro, da Universidade Positivo, em Curitiba, e vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR). “O retrofit ameniza o impacto das edificações antigas no meio ambiente, seja do ponto de vista de utilização energética, de calor ou de aproveitamento de águas pluviais”, diz, lembrando que essa é uma tendência mundial e não apenas exclusividade do urbanismo brasileiro.

 
Orlando Pinto Ribeiro: elementos pré-moldados têm 
sido usados em intervenções de retrofit.

Os arquitetos especialistas em retrofit têm uma predileção pelos edifícios erguidos em concreto armado. Segundo eles, são construções preparadas para receber intervenções mais pesadas em suas instalações, e até equipamentos de grande porte que possam vir a ser necessários para que os prédios melhorem seus desempenhos. Orlando Pinto Ribeiro destaca também que atualmente os elementos em pré-moldado têm ganhado cada vez mais espaço nas obras de retrofit. “É uma tendência natural se trabalhar com esses materiais, uma vez que o retrofit não é uma reconstrução, mas sim uma intervenção em cima de edificação pré-existente. Então, todo o processo industrializado é muito bem vindo no trabalho”, revela.

Atualmente, a legislação brasileira incentiva o retrofit. Não apenas nas edificações como nos espaços urbanos. Neste caso, áreas que ficaram degradadas nas cidades, seja pela especulação imobiliária, seja por mau uso, são submetidas a processos de revitalização. É o chamado retrofit urbano, que em Curitiba tem no bairro Rebouças o exemplo melhor acabado. “Era uma área totalmente industrializada que está mudando o perfil, por meio de parceria pública e privada”, afirma o arquiteto Orlando Pinto Ribeiro. Em São Paulo, a região da Avenida Paulista talvez seja hoje a área urbana que mais tem sido objeto do retrofit. O alvo, no caso, são os antigos prédios residenciais, que têm sido transformados em espaços comerciais.

Copa 2014
A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 levou o retrofit para dentro dos estádios. Segundo o arquiteto e professor da Universidade Positivo, a readequação de Maracanã, Beira-Rio, Mineirão, Castelão e Arena da Baixada, para cumprir o caderno de encargos da Fifa, é um exemplo claro de que o retrofit cabe em qualquer obra. “Essas intervenções podem sim ser consideradas como retrofit, que consiste em revitalizar estes edifícios dando a eles oportunidades de funcionar com um desempenho superior ao que eles têm hoje”, avalia Orlando Pinto Ribeiro.

Com um espectro amplo, o retrofit é também comum em edifícios de valor histórico. Só que, neste caso, a ação exige uma mistura de reforma com restauro. Muitas vezes é mantida a casca do edifício, que é o perímetro daquilo que a cidade está acostumada a ver na paisagem urbana, e a intervenção maior se dá no interior do edifício. “Em patrimônios históricos, as soluções pré-fabricadas são de grande valia para este tipo de recuperação”, diz Orlando Pinto Ribeiro. O Palácio Iguaçu, em Curitiba, é um exemplo. “Ali foram feitas readaptações dos espaços internos e mudanças na fachada original, que era de vidro transparente e foi substituída por uma de vidros verdes”, completa o arquiteto, que hoje atua no retrofit do edifício Nerina Caillet, na rua Marechal Deodoro, no eixo financeiro de Curitiba. 
 

 
Estádio Maracanã: retrofit para adequar o patrimônio histórico 
às exigências da Fifa para a Copa 2014.

 
Entrevistado
Arquiteto Orlando Pinto Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
Currículo
- Graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFPR – 1993)
- Mestrado em Arquitetura e Urbanismo (PROPAR / UFRGS – 2003)
- Coordenador (desde 2006) e professor (desde 2000) do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo
- Vice-Presidente (Relações Institucionais) da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR)
- Sócio proprietário e coordenador geral da empresa Contexto Arquitetura S/S LTDA.
- Diretor Geral do Seminário Internacional de Curitiba – Ateliês de Projeto Urbano (Si CWB)
- Revisor dos verbetes de Arquitetura e Urbanismo do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Contato: oribeiro@up.com.br ou orlando@contexto.arq.br


Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

Prêmio Dow-USP de sustentabilidade recebe inscrições

Estão abertas até dia 10 de junho as inscrições para o Prêmio Dow-USP de Inovação em Sustentabilidade 2011, para trabalhos de pesquisa de pós-graduação na área. 
A realização é da Fundação Dow, das Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação, e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. 
O responsável é o professor Vahan Agopyan, Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP.

Mais informações: www.usp.br/prpg

Agência USP

Sustentabilidade nas Empresas

Guia de Sustentabilidade














A BM&FBOVESPA mantém o “Em Boa Companhia – Programa de Sustentabilidade com Empresas”, que promove iniciativas variadas, que incluem: o compartilhamento de informações por meio de newsletters e publicações, encontros presenciais trimestrais na Bolsa com especialistas em sustentabilidade e um encontro anual aberto por ocasião do anúncio da nova carteira do ISE, em novembro. Além disso, o site Em Boa Companhia, criado em 2007 para publicação dos projetos socioambientais das companhias abertas, será reformulado, a fim de dar ainda mais visibilidade às boas iniciativas praticadas pelas empresas listadas. Atualmente, 44 empresas participam da iniciativa com 58 projetos ambientais e 242 projetos sociais.

Guia de sustentabilidade

A publicação “Novo Valor: Sustentabilidade nas Empresas. Como Começar, Quem Envolver e o Que Priorizar” é uma espécie de guia de sustentabilidade sob o ponto de vista do mercado de capitais, com prefácio de James Gifford, diretor executivo do PRI (Princípios para o Investimento Responsável, na sigla em inglês). O conteúdo técnico foi elaborado com o apoio da FBDS, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

O livro apresenta uma linha do tempo da evolução do conceito de desenvolvimento da sustentabilidade no meio empresarial, a partir de 1950, e sugere “13 passos rumos à sustentabilidade”. “O objetivo não é estabelecer regras ou fórmulas prontas, mas servir como um ponto de partida para que cada empresa encontre suas próprias soluções, levando em conta as características que a fazem única”, explica Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBOVESPA.

Conheça o Guia de Sustentabilidade para Empresas e transforme o seu negócio

Prédios mais eficientes

Por Joana Gontijo - Lugar Certo
Medidas de racionalização do consumo de energia elétrica nas edificações contribuem para diminuir impactos ambientais 
 
Creato Consultoria e Projetos/Divulgação
Perspectiva de projeto de revitalização de prédio em São Paulo feito por equipe mineira que participa de concurso de eficiência energética

Diante do crescimento da demanda atual por fontes energéticas dentro de padrões cada vez mais profundos de desenvolvimento, torna-se consenso a necessidade de mudar radicalmente a forma como se consome e produz energia. A utilização dos selos, certificações e programas que regulam e sugerem parâmetros e metas para este uso nas edificações, tornando-as eficientes, tem apresentado resultados expressivos no Brasil e no mundo. A construção civil consome aproximadamente 75% dos recursos naturais disponíveis no planeta e é responsável por grande parte dos resíduos, gasto de energia e emissões atmosféricas de gases poluentes. Em funcionamento, as edificações respondem por 42% da energia elétrica e 20% da água utilizada pela sociedade como um todo. "O setor necessita adotar práticas sustentáveis e mudar os modelos de planejamento e desenvolvimento das construções, pois a redução do desperdício de energia nos edifícios pode dar uma grande contribuição para a diminuição das emissões do principal gás responsável pelo efeito estufa. A opção de racionalizar, reduzir e conservar energia elétrica é uma estratégia eficiente e inteligente tanto para proprietários quanto usuários", pontua a engenheira Patrícia faria Vasconcellos, sócia da Creato Consultoria e Projetos.

Como explica, a eficiência energética é o uso racional da energia elétrica para o consumo de uma edificação. Pode-se dizer que um edifício é mais eficiente energeticamente que outro quando ele proporciona as mesmas condições de uso e conforto com menor consumo de energia. "Para isso é necessário planejar e antecipar questões essenciais capazes de proporcionar conforto térmico aos usuários e ao mesmo tempo trabalhar com foco na redução e racionalização do consumo de energia, evitando a necessidade da utilização desmedida e ineficiente de sistemas de condicionamento, climatização, iluminação e ventilação, com responsabilidade no uso dos recursos naturais disponíveis, evitando o constante desperdício de energia", continua Patrícia.

De acordo com a engenheira, a principal característica que influi na eficiência energética de um edifício é a relação do ambiente interno com o externo. Edificações eficientes em energia foram planejadas e propositalmente estudadas para alcançarem o seu melhor desempenho, de acordo com as necessidades operacionais de cada ambiente. Para alcançar esta realidade é preciso começar o projeto de forma correta, fazendo estudos climáticos do local onde a edificação será construída e que embasarão o início do projeto, acrescenta. "Por exemplo, a avaliação da quantidade e localização dos raios solares recebidos por cada fachada define o tamanho e a localização das janelas na edificação e, se necessário, deve-se protegê-las dessa carga solar em função da economia nos sistemas de iluminação e condicionamento de ar".

Considera-se o clima local também para a escolha dos materiais mais indicados para a vedação e o revestimento das fachadas, o que é chamado de arquitetura bioclimática, explica Patrícia. Atua-se em questões de isolamento, conforto térmico, iluminação, ventilação natural e na presença de vegetação que cause sombra ou forme barreira para ventos. Utiliza-se metas e ferramentas de análise e simulação computacional termo-energética de forma a orientar as decisões de compra, às soluções de projeto e as escolhas dos sistemas mais eficientes. "Após as primeiras análises são realizados outros estudos que visam determinar quais as tecnologias existentes no mercado se adequam àquela edificação. Hoje há diversos equipamentos e materiais eficientes em conservação de energia: ar condicionado que utiliza gás natural ou coletores solares ao invés de energia elétrica, elevadores inteligentes, iluminação com lâmpadas e luminárias de alto desempenho, vidros de proteção solar. Enfim, uma gama de tecnologia para todos os bolsos".

Estudos e avaliações voltadas para a eficiência energética nas edificações podem ser tratados em todas as fases de um empreendimento, do planejamento à construção, também como em edificações existentes. "O ideal é que o projeto seja concebido para ser eficiente em energia. Dessa forma o custo de implantação é menor e a eficiência do sistema é melhor. No caso de edificações antigas, que estão fazendo retrofits, ou seja, se modernizando, é feito uma análise do consumo de energia atual para depois ser apresentada uma proposta de intervenção visando à redução do consumo de energia. Nem sempre se pode alterar tudo que seria necessário em uma edificação antiga, pois o custo pode ficar alto. Algumas atualizações e mudanças podem ser feitas e são eficazes. É possível alterar os equipamentos de ar condicionado, melhorar o sistema de iluminação e atuar em questões de isolamento térmico, usando vidros que barram a entrada dos raios solares, mas todas estas intervenções demandam estudos e projetos especializados", explica Patrícia.

Para o engenheiro diretor da Green Gold Engenharia e Projetos, Júlio César Fonseca, a eficiência energética é algo muito importante nos dias atuais. Primeiro porque passa pela questão ambiental do ponto de vista da matriz energética do país. Na Europa, por exemplo, a geração de energia foi baseada em usinas nucleares e por usinas termelétricas à base da queima de carvão. São fontes não-renováveis e com risco de acidente ambientais, como o ocorrido no Japão, lembra Júlio César. "Já no Brasil, nossa matriz energética é a hidrelétrica, que possui um alto impacto ambiental para sua implantação devido à necessidade de alagamento para criação da represa. Temos como exemplo atual a usina de Belo Monte. O pensamento é que se tivermos edificações eficientes do ponto de vista energético, teremos uma demanda menor de energia e como conseqüência um menor impacto na questão ambiental para o suprimento de energia. Ganha o consumidor final que pagará uma conta de energia mais barata, ganham as concessionárias que, com a mesma planta energética, conseguirão atender a um número maior de consumidores, ganha a sociedade como um todo devido à redução do impacto ambiental no nosso planeta".

Existem no mercado mundial diversos selos e certificados emitidos por organizações e também por empresas de consultoria que avaliam e classificam as edificações com base em diversas metodologias. A certificação mais conhecida mundialmente é o LEED, criada em 1993 como projeto piloto para que a indústria da construção pudesse ter um sistema de que mensurasse o quanto um projeto é realmente sustentável. O Energy Star é outro programa americano específico para eficiência energética. "O Brasil lançou ano passado uma etiqueta que avalia exatamente a eficiência energética de uma edificação: a etiqueta PROCEL de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais de Serviços e Públicos e recentemente em edifícios residenciais. Esta etiqueta vem nos dizer qual o nível de eficiência energética de um edifício através de classificações da envoltória (fachadas), do sistema de iluminação e do sistema de condicionamento de ar. Uma equação pondera estes sistemas através de pesos e permite somar à pontuação final bonificações com inovações tecnológicas, uso de energias renováveis, cogeração ou racionalização no consumo de água que por ventura tiverem sido contempladas no projeto", continua a engenheira.

Em um empreendimento sustentável, o consumo de energia pode ser 30% menor que nos demais, afirma o gerente operacional do Green Building Council Brasil, Felipe Faria. De acordo com ele, até o momento, 24 empreendimentos receberam a certificação LEED no Brasil. Em 2009, o país era o 6º colocado no ranking mundial de construção sustentável. No ano passado, essa posição já subiu para 5º, atrás apenas dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Canadá e China, pontua. "São inúmeras as ações que proporcionam melhora no desempenho energético de edificações, como lâmpadas e luminárias eficientes, elevadores inteligentes, motores de alta eficiência, valorização de iluminação e ventilação natural, sensores de presença para acionamento e desligamento automático, estudos de comissionamento, entre outros", completa Felipe.

Um reflexo dessa preocupação é o Concurso OTEC de Eficiência Energética, que na primeira edição tem como um dos três finalistas uma equipe mineira formada por engenheiros, arquitetos e administradores ligados à Creato. Juntos, eles criaram um projeto de revitalização do edifício Paulo de Tarso Montenegro, que abriga há 11 anos a sede do Ibope em São Paulo. As proposições apresentadas começam já pela entrada do prédio, que ganhará uma fachada de vidro microfurado que permite a proteção solar e a circulação do ar. Ainda na área externa, o projeto prevê a instalação de painéis fotovoltaicos para a geração de energia elétrica.

O projeto também contempla a modernização do sistema de ar condicionado, que passará a operar quase sem a utilização de energia elétrica da concessionária. A iluminação do edifício também passará a funcionar de forma mais eficiente e econômica. Outra inovação é a criação de uma área de vegetação no oitavo andar, com o objetivo de proporcionar um efeito estético e proteger contra a radiação solar. A proposta vencedora será conhecida em 14 de abril, e apontada através de um modelo de simulação computacional. A equipe que ficar em primeiro lugar receberá um prêmio no valor de R$ 50 mil, além da possibilidade de ser contratada pelo proprietário do edifício, em parceria com o IBOPE, para desenvolver o projeto executivo de revitalização da construção.

A equipe finalista ligada à Creato é composta pelos engenheiros Marco Tulio Vasconcellos, Patricia Vasconcellos, Miquéias Assunção e Luciana Maron; arquitetos Silvio Romero Motta, Adalgisa Mesquita e Mariana Messina e pela administradora Gisela Farhat.

Casca do café também é fonte de energia

Com informações do CNPq
Há mais no café do que o seu sabor, famoso mundialmente: o processamento dos grãos gera um resíduo que pode ser utilizado como fonte de energia, diminuindo custos e reduzindo a poluição ambiental.
 
 

 
Potencial energético do café

Durante o cultivo do café, aproximadamente dois milhões de toneladas de cascas de grãos são produzidas por ano no Brasil.

Esse subproduto normalmente vai para o lixo ou é usado para a forração dos terrenos dos cafezais, restituindo parte dos fertilizantes retirados pela planta.

Mas a casca do café tem um potencial energético que pode, em alguns casos, torná-la substituta da lenha, sendo uma opção mais barata e ecologicamente correta para empresas que usam a madeira na geração de energia.

Suprir as necessidades desse mercado significa cortar menos árvores e contribuir para a redução do desmatamento.

Eletricidade da biomassa

Para otimizar esse potencial, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), liderados pelo engenheiro florestal Ailton Teixeira do Vale, fizeram um estudo para demonstrar a importância dos resíduos agroflorestais como fonte de energia, tanto para indústrias quanto em comunidades rurais.

"A casca do café, assim como outras biomassas, pode gerar eletricidade em termoelétricas, a partir da combustão em fornalhas, gerando energia na forma de calor, utilizado para a produção de vapor, que por sua vez é utilizado para a produção de energia elétrica e, em cogeração, outras energias como a mecânica", explica Vale.

Quando usada como combustível, a casca do café, assim como outros resíduos agroflorestais, tem inúmeras vantagens em relação aos combustíveis fósseis.

"Em primeiro lugar, é um combustível renovável, e os compostos liberados na sua combustão são sequestrados pelos novos plantios, fechando o ciclo do carbono, e, portanto, não contribuindo com o efeito estufa. Outra vantagem é a possibilidade de agregar valor a um resíduo que geralmente é descartado e, com isso, gerar emprego, renda e desenvolvimento social nas regiões onde a cultura do café é uma prática", explica o pesquisador.

Combustão, gaseificação e carvão

Espera-se que os dados obtidos a partir desse estudo possam ser utilizados para melhorar a gestão dos resíduos provenientes de biomassa e que isso possa abrir a possibilidade de uso na produção de energia em pequenas comunidades rurais e nas agroindústrias, a partir da combustão, da gaseificação ou da transformação em carvão vegetal, assim aumentando sua participação na Matriz Energética Brasileira.

A agregação de valor ao resíduo, gerando um novo produto, é bem-vinda ao diminuir a poluição do meio ambiente e possibilitar uma qualidade de vida melhor para as pessoas envolvidas no processo ou moradoras da região

"Além de agregar valor ao resíduo, [o uso dessa biomassa] demandará mão-de-obra, equipamentos, capitais, empresas de serviços e toda uma infraestrutura administrativa, industrial e comercial, elevando o nível econômico e beneficiando a sociedade", afirma Vale.

Substituição do petróleo por biomassa

O Brasil é referência internacional na substituição do petróleo por biomassa, embora o assunto esteja repleto de controvérsias.

O maior exemplo é o uso do etanol como combustível para veículos de passeio e de carga - que tem impactos sobre as terras agricultáveis e desbalanceamento do ciclo de nitrogênio, além de consumir água demais.

Na siderurgia, o uso de carvão vegetal na produção de ferro gusa é uma realidade há décadas - com constantes denúncias de uso de vegetação não-plantada, principalmente do cerrado.

Outra frente que tem crescido é a produção de energia elétrica em termoelétricas, principalmente nas usinas de açúcar e álcool e nas fábricas de celulose e papel, a partir de resíduos, com unidades movidas a bagaço de cana-de-açúcar, licor negro, restos de madeira, casca de arroz, biogás e carvão vegetal.