Parques eólicos permitirão venda de energia

O vento está soprando a favor do Rio Grande do Norte: até 2013 o Estado receberá 69 parques eólicos, que demandarão investimento de R$ 8 bilhões e o tornarão "exportador" de energia renovável para outros Estados brasileiros.  


Mas, se o governo estadual não for bem sucedido na tarefa de atrair fornecedores para o setor, os potiguares correm o risco de entrar apenas com o vento nesse negócio de bilhões. "As obras já iniciadas do PAC não conseguiram dar impulso à economia porque os equipamentos e materiais empregados vêm de outros Estados", diz o economista Odair Lopes Garcia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. "O impacto fica restrito ao pagamento de salários."

O governo do Estado, porém, está se esforçando para tirar o melhor proveito dos investimentos em energia eólica, que representam quase um quarto do PIB potiguar de 2008, de R$ 25,5 bilhões.

Francisco Cipriano Segundo de Paula, secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, explica que o governo criou um programa de apoio à indústria que prevê descontos no ICMS de acordo com a capacidade da empresa de criar empregos. Outro incentivo é o programa Progás, que pode isentar a indústria de parte do pagamento da conta do gás.

Segundo De Paula, o governo também está trabalhando para que os investimentos se espalhem pelo interior do Estado - que tem menos de 53 mil km2 de área e cerca de 3,2 milhões de habitantes. Mas os projetos do PAC não vão nessa direção, como lembra Garcia, apesar dos benefícios que acarretarão. Concentram-se na capital e cidades próximas e na região de Mossoró, onde está a Petrobras.

As obras do PAC incluem a ampliação do porto de Natal (a segunda desde 2008, com investimento total de mais de R$ 200 milhões) e a construção do Terminal Pesqueiro Público de Natal (cerca de R$ 36 milhões). Essas obras possibilitarão ao Rio Grande do Norte receber embarcações de grande porte, inclusive internacionais, para recolher seus valiosos atuns, dos quais é o maior produtor e exportador do país. Também ficará perto de Natal, em Macaíba, cidade com um parque industrial expressivo, uma das duas Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) que o Estado planeja construir.

No interior, os projetos do PAC se concentram de fato em Mossoró, a noroeste. A refinaria Clara Camarão, que está sendo ampliada (com investimento de R$ 191 milhões), e o porto Ilha, que também passa por expansão (cerca de R$ 160 milhões), ficam próximos: respectivamente, no Polo Industrial de Guamaré e na cidade de Areia Branca. A segunda ZPE será instalada em Assu, na mesma região. Para Garcia, embora seja legítima, a intenção de interiorizar os investimentos esbarra em dificuldades, como a baixa qualidade de ensino no Estado, que pode ser enfrentada, em sua opinião, com a expansão do ensino técnico. O governo trabalha nessa direção. "Estamos montando cursos para capacitar pessoal para o setor de energia eólica", diz De Paula.

Designer cria interruptor que mudar de cor para ensinar crianças a economizar energia


Tyo é o nome do interruptor em forma de fantasma que avisa, através de subtis luzes, há quanto tempo a lâmpada está acesa.
Até uma hora, a expressão do fantasminha é feliz e a luz do interruptor permanece verde.
Se a luz é deixada ligada por mais de quatro horas, ele "assusta-se" e fica amarelo.
Se o morador da casa se atreve a deixar a luz acesa por mais de oito horas, o até então amigável fantasma "zanga-se" e fica vermelho.
Com o auxílio visual e táctil, espera-se que as crianças comecem a tomar consciência do desperdício de energia logo cedo, e de uma maneira divertida.

Para se tornar potência verde, Brasil precisa fazer mudanças na matriz energética

Mariana Della Barba
Da BBC Brasil em São Paulo


Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis.

Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa - o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana).

Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda

A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial", diz Baitelo. "Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica."

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão - que hoje representa 16,5% do total - dobre em dez anos.

Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento

Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás - e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços

Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol

Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Investimentos em energia limpa somarão U$$1,7 trilhão na próxima década

Estudo traça cenários e afirma que políticas de incentivo podem elevar aportes na área para até US$2,3 trilhões.
 

Os investimentos em geração de energia a partir de fontes limpas nos países que compõem o G-20 - grupo das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia - devem somar algo próximo a US$1,7 trilhão ao longo dos próximos dez anos. 
Esse montante, porém, pode chegar a US$2,3 trilhões caso as políticas para fomento a essas fontes sejam significativamente fortalecidas nos próximos anos. As previsões constam de relatório divulgado nesta quarta-feira (12/8) pela Pew Charitable Trusts, organização dedicada a estudos e análises ligadas a políticas públicas.
Em todos cenários avaliados pelo documento, a corrida pela energia limpa é liderada pela Ásia, com grande expansão na China e na Índia. O texto afirma que todos os países teriam ganhos com uma política voltada a incentivar o setor renovável, mas que, entre todos, três aparecem como os que, potencialmente, melhor poderiam aproveitar a onda verde: Estados Unidos, Índia e Reino Unido.
O estudo examinou projetos de investimentos privados em energia eólica, solar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), centrais geotérmicas e usinas maremotriz (usam a força do mar). Os dados que subsidiaram o relatório foram compilados junto à Bloomberg New Energy Finance, que distribui notícias, dados e análises sobre o mercado de energia limpa e emissões de carbono. Com base nisso, foram elaborados três cenários: um que contempla as perspectivas com as políticas atuais; um com a implementação de acordos negociados em Copenhagen para a redução das emissões de CO2; e outro com o máximo de políticas e incentivos para a área.
Em todos os cenários, a Ásia aparece como a região mais atraente para os investidores. China, Índia, Japão e Coreia do Sul poderiam ser, em 2020, o destino de aproximadamente 40% dos aportes em energia limpa. O crescimento é explicado principalmente pelo grande aumento da demanda por eletricidade no continente. Somente Índia e China devem responder por 53% da alta no consumo nos próximos vinte anos. Na China, os recursos privados direcionados para a geração renovável poderiam chegar a US$620 bilhões até 2020.
Em sua análise, o documento avalia que os Estados Unidos já têm potencial para ver os investimentos no setor crescerem 73% acima dos níveis de 2010, mesmo com a atual legislação. Caso fossem adotadas medidas previstas para reduzir a redução de emissões, como falava-se em Copenhagen, esse expansão poderia ser de 90%. E, no caso de se adotar os cenários mais positivos, a variação positiva chegaria a até 237% - o que representaria a atração de US$342 bilhões na próxima década. "Os Estados Unidos são um dos três países que teriam mais a ganhar com a adoção de políticas agressivas de energia limpa", destaca o texto.
Na Europa, a tendência é de que o mercado chegue à maturidade na próxima década, o que fará o desenvolvimento das renováveis cair em alguns países que as adotaram mais cedo e crescer em outros. Assim, as maiores oportunidades de crescimento são vistas no Sul do continente e em aplicações eólicas offshore - instaladas em alto mar. A previsão otimista aponta para aportes de R$705 bilhões nos países do bloco, com destaque para a Alemanha, o Reino Unido e a Itália.
Ao analisar o Brasil, o estudo ressalta que o País é o líder mundial em potencial para usinas a biomassa e PCHs, além de ter um grande campo para o investimento em energia eólica. A previsão é de que sejam investidos US$4 bilhões em fontes renováveis no País até 2020, sendo que esse número pode dobrar com as políticas para redução de emissões. E, no caso de um incentivo mais agressivo, no cenário mais favorável, o País poderia receber até US$67 bilhões, com a instalação de 25GW em usinas de energia limpa.
O documento sugere, além da realização de leilões anuais para contratação de fontes renováveis, a criação de uma meta para esse tipo de geração na matriz, incentivos aos empreendedores, e a redução de impostos, que, segundo os especialistas, hoje representam cerca de 40% do custo dos projetos. Também são colocados como possibilidades a redução dos juros pelo Banco Central, para que bancos privados também possam financiar, com taxas atrativas, os empreendimentos na área, hoje bancados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Clique aqui para acessar a íntegra do relatório. 
 

Concurso Habitação para Todos: Casas térreas

Projeto vencedor na categoria enfocou a felicidade, o bem-estar na qualidade de vida dos moradores
Por: Michel Mello
Blocos modulares rompem a monotonia dos antigos conjuntos habitacionais e trazem mais alegria e bem-estar às HIS

O Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura de Novas Tipologias para Habitação de Interesse Social Sustentáveis (HIS Sustentáveis), premiou em primeiro lugar na categoria de Unidade Unifamiliar Térrea, ou simplesmente casas térreas, o projeto número 03 da equipe do escritório 24.7 Arquitetura, de Campinas (SP). O grupo é formado pelos arquitetos Giuliano Pelaio, Gustavo Tenca e Inacio Cardona, que conversaram com o Massa Cinzenta.
Para o arquiteto Gustavo dos Santos Corrêa Tenca, um dos idealizadores do projeto, “o maior desafio foi a busca por uma solução lógica e racional capaz de demonstrar que a qualidade de uma habitação não deve corresponder apenas ao padrão econômico de uma determinada classe social, mas sim, aos conhecimentos técnicos do seu momento histórico, rompendo um paradigma antigo e dominante de que as casas populares devem ser marcadas pela simplicidade de suas construções”.
Esse concurso é fruto de uma parceria entre o Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção São Paulo (IAB-SP), e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e teve por objetivo fomentar a produção de projetos arquitetônicos em diferentes categorias habitacionais na esfera pública estadual.

Projeto

Detalhes da vista da fachada dupla da Unidade Unifamiliar Térrea a serem implantados em novos conjuntos habitacionais

Um dos diferenciais do conceito vencedor foi a concepção de um projeto bioclimático que, além de considerar a felicidade e o bem-estar dos futuros moradores, enfocou a qualidade de vida. Isto significa que, além de um bom sistema natural de ventilação dos edifícios, é necessária uma alta inércia térmica, ou seja, um pequeno efeito de estufa que ocorre no interior da residência através da radiação solar direta em áreas envidraçadas e de uma correta orientação para o norte.
O projeto se aproveita ao máximo dos recursos naturais, tais como o sol (para esquentar a casa), o vento (para refrescar e regularizar a alta umidade) e a água da chuva (para regar o jardim e descarga do banheiro).
Na parte externa foi utilizada uma pintura a base de cal virgem que permite a troca de calor através da própria alvenaria. Outro ponto importante é que foram utilizadas telhas termoacústicas do tipo sanduíche, aumentando o desempenho e o conforto para essas habitações.

O projeto consiste na idealização de uma casa compacta que possa dar mais liberdade aos seus moradores, inclusive, com espaços livres dentro de suas dependências sem deixar de lado a qualidade visual e volumétrica. A preocupação com a fachada, a identidade, a heterogeneidade e a descompactação do tradicional modelo da casa retangular foram pontos chaves na elaboração dessa proposta.
A modularidade imposta pelo sistema construtivo é visto como um fator muito positivo, já que se eliminam os resíduos sólidos da construção, otimizando o tempo de construção. De fato, o simples e tradicional método construtivo permite que os próprios usuários possam construir mais da metade da residência sem a mão de obra especializada.
Casa
A residência consiste em um conceito reduzido, que foi resolvido a partir de dois blocos estruturais lineares interligados por um terceiro bloco com funções distintas. Um módulo para os dormitórios e o banheiro, outro para a área de serviços (cozinha e lavanderia) e um terceiro – de ligação – que abriga a sala de refeições e a sala de estar.

Existem dois tamanhos de habitação. O primeiro, com dois quartos, foi pensado para abrigar quatro habitantes e tem 53,10 m² de área. E o outro, com três quartos, foi planejado para seis habitantes e possui área de 61, 65 m².
O concurso foi pensado para obras públicas executadas pela CDHU do estado de São Paulo. Um dos critérios estabelecidos é a taxação do metro quadrado. Para a categoria de casas térreas o valor do m² fica entre R$ 950,00 a R$ 1.150,00 Com isso os valores ficam:
a) 53,10 m² = R$ 56 mil no total; e
b) 61,65 m² = R$ 63 mil no total.

Os arquitetos Gustavo Tenca, Inacio Cardona e Giuliano Pelaio da equipe responsável pelo projeto: novos conceitos

Giuliano Pelaio, um dos arquitetos da equipe, garante que “o formato alongado e estreito visa garantir a iluminação e radiação direta total dos ambientes da casa, já que, de acordo com a inclinação do sol para a latitude das cidades do estado de São Paulo, o formato quadrado ou retangular de certas dimensões impossibilitaria o alcance da luz em toda a sua extensão. O mesmo terreno, com as mesmas dimensões, foi pensado para abrigar a casa de dois e três dormitórios, prevendo, assim, a expansão de mais um dormitório da menor habitação (53,10 m²), em caso de crescimento do número de integrantes da família”.
O conceito fundamental das residências parte de uma modulação simples de 0,90 m. Essa ideia surge a partir de um estudo sobre um denominador comum que pudesse atender tanto as necessidades da construção como as necessidades básicas de acessibilidade. As habitações foram construídas com blocos estruturais nos módulos de 0,90 m, o qual é usado quando se utilizam blocos estruturais de concreto da família 29 (29 x 14 cm). Além disso, a modulação de 0,90 m permite acessibilidade ao cadeirante, que pode realizar um deslocamento ideal no interior da residência.
Opinião dos moradores
Pelaio acrescenta: “Acreditamos que a qualidade dos espaços projetados influencia diretamente na qualidade de vida e bem-estar dos ocupantes e foi assim que procuramos trabalhar. Contamos com a opinião de moradores do atual sistema habitacional do CDHU e estivemos dispostos a ouvir e compreender a respeito das atuais carências, problemas, necessidades, preocupações e anseios, a fim de desenvolver um trabalho com a aprovação do usuário final”.
A equipe do projeto trabalhou em conjunto com a CDHU e aplicou questionários e entrevistas com moradores de outros conjuntos habitacionais do estado de São Paulo. Entre as várias questões colocadas pelos moradores estava a necessidade de segurança nas casas. “Uma demanda dos moradores é que o projeto fosse fechado com muros. Outro ponto curioso foi que muitos desses moradores apontaram a necessidade de ter uma lavanderia coberta para poderem lavar as roupas a noite”, destaca Tenca.
Layouts
Os moradores podem intervir e criar os mais diferentes tipos de layouts externos em suas residências de acordo com as necessidades de cada família. O mais importante é que, mesmo tendo a mesma concepção, cada casa pode ter uma identidade visual totalmente diferente. As fachadas podem ser facilmente modificadas, se alteradas as cores da caixa d’água e núcleo central e os elementos de fechamento frontal utilizados na frente da lavanderia. “Esses itens são suficientes para se conseguir diferenciar uma casa da outra, mudando o aspecto de que todas as casas são exatamente iguais”, afirma Gustavo Tenca.
Paradigmas e rompimentos
Inacio Cardona defende que, “o projeto também rompe como paradigma de que habitações de programas habitacionais precisam ser todas iguais de forma hegemônica. A ideia de rompimento da monotonia causada pela repetição em grande parte do atual sistema de habitação de interesse social no Brasil, nos fez pensar na possibilidade de diferentes identidades que as casas poderiam alcançar”.
É consenso entre os autores que “os atuais padrões de habitação popular são feitos de modo rápido e com má qualidade. Essas unidades habitacionais podem ter uma rápida construção, porém também podem ser sinônimo de baixa qualidade e baixo desempenho”, assegura Tenca.
Cardona acerta que, “os espaços podem ser iluminados naturalmente, com ventilação constante e pátios internos que procuram aumentar a qualidade de vida dos moradores. Desejamos que não exista a criação de guetos em periferias e sim a ocupação de vazios urbanos centrais, compactando as cidades”.
Pelaio defende “a minimização dos gastos com a manutenção das residências, por isso devemos escolher sempre materiais resistentes, de boa qualidade e de longa vida útil. E não pensar somente nos lucros oriundos da economia de materiais. Como é caso de muitos programas habitacionais que são feitos atualmente”.
Interessa? Confira a sequência dos projetos vencedores do Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura de Novas Tipologias para Habitação de Interesse Social Sustentáveis (HIS Sustentáveis) nas próximas edições do Massa Cinzenta Itambé.

Para brasileiros, sustentabilidade é questão de sobrevivência

A força representada pelas mudanças climáticas e pela gestão dos recursos naturais se mostrou mais importante para os executivos brasileiros consultados pela Omni Marketing, em setembro, do que para os do mercado global ouvidos pela McKinsey em março. 
 
 
 
Para a sócia-proprietária da Omni, Regina Pacheco, os empresários brasileiros não associam a questão a ações voltadas diretamente para o lucro, mas a uma questão de sobrevivência no futuro. "Os brasileiros estão preocupados com a perenidade das empresas."

Essa preocupação está de fato no topo da agenda de um número crescente de executivos. É o caso de Marcelo Cardoso, vice-presidente de desenvolvimento organizacional e sustentabilidade da Natura. "Um modelo aberto de demanda e oferta infinitas não funciona mais", diz. "A Natura gostaria de propor um novo modelo de capitalismo." Seria, segundo ele, um modelo mais consciente, baseado numa economia de baixo carbono.

O vice-presidente executivo de organização e recursos humanos da Embraer, Hermann Ponte e Silva, não tem dúvidas de que o meio ambiente entrou definitivamente para a agenda estratégica das empresas. Ele acha que os índices de sustentabilidade das principais bolsas de valores mundiais e as pressões dos fundos de investimentos mudarão as ações das grandes empresas.

Também para André Gerdau Johannpeter, presidente da gigante do aço Gerdau, o tema mudanças climáticas está fortemente ligado à dimensão social da sustentabilidade, uma vez que as economias em desenvolvimento necessitam de energia e mobilidade para garantir patamares de Índice de Desenvolvimento Humano aceitáveis. Ele lembra que o Protocolo de Kyoto separa claramente os países desenvolvidos dos que necessitam crescer e define responsabilidades comuns, porém diferenciadas. "A produção de aço é crucial para o desenvolvimento e a qualidade de vida, pois o aço é material básico na geração de energia, transporte, infraestrutura, além de ser infinitamente reciclável." Para o presidente da Gerdau, os governos não devem estabelecer metas de redução determinadas por outras nações, mas primar pela manutenção da competitividade global. "O Estado deve ser indutor da sustentabilidade, ampliando estímulos, fiscais e de crédito que permitam atingir um desempenho ajustado às necessidades de cada nação."

Para Wilson Ferreira Jr., presidente da CPFL, uma gestão que não considere os imperativos de sustentabilidade nunca será eficiente. Ele lembra que o tema da qualidade surgiu como bandeira nos anos 90 e hoje se incorporou ao modelo de gestão das organizações, e ninguém mais questiona sua necessidade. "Constato o mesmo em relação à sustentabilidade." Segundo ele, a CPFL tem participado do movimento pela sustentabilidade ao assumir compromissos voluntários (como levantamento e declaração de emissões de carbono) ou ao adotar mecanismos de gestão e prestação de contas.
A CPFL tem trabalhado com o governo em temas como a regulamentação da Política Nacional de Mudanças Climáticas e acompanhado os posicionamentos na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. Ferreira Jr. diz estar convencido de que regulamentações das emissões de gases de efeito estufa são cruciais para manter o diferencial dos produtos brasileiros frente aos fabricados nos EUA, na Europa ou na China. "Um bom marco regulatório pode estimular a inovação e aumentar a eficiência", diz. 

Fonte: Valor Econômico
Autor: Juan Garrido

Portal da biodiversidade dá acesso livre a pesquisas e documentos

O conhecimento produzido no Brasil sobre a sua biodiversidade ganhará mais visibilidade.



Alex Sander Alcântara - Agência Fapesp 

O motivo é o Portal BHL ScieLO, de acesso livre, que vai disponibilizar milhares de obras, artigos, mapas e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira.
Lançado oficialmente na quarta-feira, o serviço é parte do projeto "Digitalização e publicação on-line de uma coleção de obras essenciais em biodiversidade das bibliotecas brasileiras", conduzido pelo programa SciELO, biblioteca eletrônica virtual de revistas científicas mantida pela FAPESP em convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).
Rede da biodiversidade
De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do programa SciELO, a BHL SciELO possibilitará o fortalecimento da pesquisa científica em biodiversidade.
"O Brasil tem uma produção científica de destaque nessa área, mas que hoje assume também uma dimensão política e econômica internacional com todas as discussões sobre mudança climática e preservação de espécies", disse.
Segundo Packer, o novo portal já reúne volume suficiente de arquivos para atender às demandas de pesquisadores e demais interessados. "Contamos até o momento com cerca de 110 mil registros digitalizados: artigos, mapas e obras de referências históricas da biodiversidade brasileira", explicou.
O portal integrará a rede global The Biodiversity Heritage Library (BHL), consórcio que reúne os maiores museus de história natural e bibliotecas de botânica no mundo, como a Academy of Natural Sciences e o American Museum of Natural History, nos Estados Unidos, e o Natural History Museum, na Inglaterra.
"A Austrália acabou de entrar e, agora, tanto a BHL Brasil como a BHL China farão parte dessa rede mundial que já conta com cerca de 130 mil obras e mais 32 milhões de páginas digitalizadas", dise Packer.
No Brasil, a rede será composta por instituições como Biblioteca Nacional, Museu Nacional, Jardim Botânico do Rio Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantan, Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), Bireme, Fundação Zoobotânica, Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, Museu Paraense Emílio Goeldi e a USP.
"O objetivo é seguir o mesmo modelo da SciELO com a modalidade de acesso aberto com múltiplos sistemas de busca e indicadores bibliométricos, que tem propiciado maior visibilidade à produção científica dos países em desenvolvimento, principalmente os localizados na América Latina e Caribe. A ideia da BHL SciELO é que se estenda também para a América Latina", contou Packer. O portal também traz notícias da Agência FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP.
Produção brasileira
Ao levantar dados sobre a produção científica brasileira na área de zoologia, Rogério Meneghini, coordenador científico do Programa SciELO, disse ter ficado surpreso com a posição do Brasil na produção de artigos na área.
Com base no cruzamento de informações da Web of Science, base de dados da empresa Thomson Reuters, foram produzidos no mundo, entre 2007 e 2008, 23.903 artigos em zoologia. "O que mais chama a atenção é que o Brasil fica na quarta posição com 1.762 artigos, perdendo apenas para os Estados Unidos (7.649), Japão (2.233) e Inglaterra (1.762)", disse.
Outro destaque do estudo é que, entre as instituições globais de pesquisa na área de zoologia, a USP é a primeira da lista, seguida das academias de ciência da Rússia e da China e da Universidade de Kyoto, no Japão. "Existem áreas em que a produção brasileira está competindo em pé de igualdade. Um exemplo é a zoologia", disse, destacando a Revista Brasileira de Zoologia.
Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, falou da experiência do Programa e novos desafios na nova fase do programa. Segundo ele, uma das frentes é disponibilizar dados sobre as pesquisas.
"A linha de base do Biota foi a publicação de sete volumes temáticos e da revista Biota Neotropica, do Atlas e também do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota), que tiveram a função de mapear e divulgar o que já está disponível para a sociedade, governos e demais pesquisadores", disse.
Em pouco mais de dez anos, o Biota contabilizou cerca de 113 mil registros, sendo 12 mil de espécies. "Um dos desafios agora é entender como a biodiversidade produz elementos e componentes químicos que podem ser patenteados e associados à cadeia produtiva existente na sociedade, mas ainda precisamos reunir mais dados", disse ao falar do Biota Prospecta.
Participaram também do lançamento do portal Sueli Mara Ferreira, diretora do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, que falou dos desafios do acesso aberto na universidade, Dora Ann Lange Canhos, do Cria, que contou sobre a experiência da Lista de Espécies da Flora do Brasil, e Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, que falou das publicações do programa, da revista Biota Neotropica e do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota).

O BHL ScieLO pode ser acessado no endereço: 
http://biodiversidade.scielo.br