Jaime Lerner é destaque no Green Pionners, da CNN

Neste sábado, 17, às 10h e às 16h, o arquiteto Jaime Lerner, conselheiro do Planeta Sustentável, será protagonista do especial Green Pioneers, do canal CNN International. Programa que destaca a histórias de pessoas inovadoras, que se preocupam com as questões ambientais. Entre elas estão também Malgorzata Górska, da Polônia, e Alexandre Voigt, da Alemanha
Mônica Nunes/Adriana Luna
Planeta Sustentável - 16/07/2010
A CNN International está de volta com a sua programação verde. O programa Going Green: Green Pioneers volta a exibir especial ambiental, de meia hora, apresentado por Colleen McEdwards, que vai ao ar em três dias diferentes: aos sábados, às 10h e às 16h; aos domingos, às 5h; e às segundas, às 9h30 e 13h30.
O programa conta histórias de personalidades preocupadas com a preservação do meio ambiente – desde ideias de planejamento urbano a tecnologias mais avançadas –, como o brasileiro Jaime Lerner, arquiteto responsável pela transformação do sistema de transporte público de Curitiba, que contará sua história no próximo domingo.
Jaime conversa com o âncora da CNN International, Brian Byrnes, sobre planejamento urbano e como sua visão de Curitiba se espalhou pelo mundo, influenciando outros países como a África do Sul, a adotar sistemas semelhantes. Assista ao vídeo
Já a polonesa Malgorzata Górska falará sobre a luta de oito anos para a inviabilização do projeto de construção de uma autoestrada em favor da conservação ambiental da região de Rospuda Valley, no Nordeste da Polônia, uma das últimas áreas intocadas na Europa. A vitória nesse processo lhe rendeu o Prêmio Internacional Goldman Ambiental 2010, que destaca os maiores e mais importantes ambientalistas.
O programa exibe, também, entrevista com Alexandre Voigt, um dos principais empresários da Alemanha, que construiu a primeira empresa solar pública e está desenvolvendo uma rede insular alimentada, exclusivamente, por fontes renováveis. O objetivo é que todos os países possam utilizar grandes quantidades de energia verde ao invés de confiar em fontes de combustíveis fósseis ou energia elétrica.

Estudos revelam que selos verdes confundem consumidor

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Selos verdes atestam que o produto certificado não se valeu de exploração indevida dos recursos naturais na cadeia produtiva/Foto: Iassikurkijarvi
 
Eles são desenvolvidos para informar ao consumidor que o produto é certificado em razão de atender a normas socioambientais, mas às vezes acabam confundindo. Dois estudos divulgados recentemente revelam que os chamados selos verdes acabam, muitas vezes, sendo colocados pelas próprias empresas, sem qualquer auditoria ou verificação independente, segundo matéria publicada na edição desta quarta-feira, 14 de julho, pelo jornal O Estado de S.Paulo.
O levantamento realizado no Brasil pelas consultorias Unomarketing, Mob Consult e Ideia Sustentável apontou a existência de 600 selos verdes ou com atributos de sustentabilidade no país - atribuídos, em grande parte, por meio de critérios questionáveis. A ideia é reforçada por um outro estudo, de nível internacional. O World Resources Institute (WRI) mapeou em 42 países a existência de 340 selos socioambientais, dos quais menos de um terço monitora os reais impactos sociais e ambientais da cadeia produtiva.
"Há uma grande quantidade de selos autodeclarados: eles não são auditados de maneira independente e contam apenas com a chancela da própria empresa que comercializa os produtos", explicou ao Estadão o representante da consultoria Ideia Sustentável, Ricardo Voltolini. Em âmbito nacional, o problema é identificado porque falta no Brasil um órgão ou entidade que faça o papel de dar aval às certificações que existem no mercado.

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A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), por exemplo, emitem selos como o Procel (de eficiência energética para eletrodomésticos). Já certificações conhecidas no mercado internacional, como FSC (manejo florestal) e Ecocert (orgânicos), passam por auditorias feitas por organismos independentes.
Segundo definição da ABNT, a certificação ambiental atesta, por meio de uma marca inserida na embalagem, que determinado produto ou serviço apresenta menor impacto ambiental em relação a outros disponíveis no mercado. O problema para o consumidor é a ausência de informação sobre a confiabilidade dos selos. "O consumidor deve ler os rótulos com atenção, pesquisar, buscar referências", sugere Voltolini.
Mercado green
O mercado para produtos ambientalmente corretos cresce gradualmente. Só o Japão possui mais de 3 mil produtos certificados à disposição do consumidor. De acordo com dados do estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o segmento para produtos agrícolas certificados alcançará US$ 210 bilhões em 2020. Em 2008, ele chegou a US$ 40 bilhões.
No Brasil, 21% dos consumidores levam em conta as questões socioambientais no momento das compras, segundo Voltolini. Com foco voltado para o consumidor mais consciente, empresas brasileiras de setores como cosméticos, têxteis, siderurgia, pneus reformados, gráficas e até de fraldas descartáveis buscam uma certificação ambiental mais padronizada. A ABNT tem há 17 anos um programa de certificação chamado Qualidade Ambiental, que só passou a receber pedidos das indústrias em 2009. As primeiras certificações verdes da ABNT devem ser emitidas ainda em 2010.
Para o diretor de qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, o consumidor brasileiro já utiliza os selos como um fator de decisão de compra. Ele cita como principal exemplo o selo Procel. "Hoje, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra e 40% aceitariam pagar mais pelo produto com selo." Além de economia de energia, o Inmetro certifica produtos de origem florestal (selo Cerflor) - e também alimentos, como frutas, dentro de critérios de sustentabilidade.
O Inmetro estuda, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os critérios para a emissão de um futuro selo verde para carros. A ideia, segundo Lobo, é unir dados referentes ao consumo de combustível dos veículos e também as emissões de poluentes em uma única certificação. "Seria uma espécie de Procel para carros", explicou. As primeiras reuniões entre os órgãos para discutir a proposta serão realizadas até o final de julho.

Central de reciclagem recolhe lixo eletrônico em São Paulo

Gerenciada por cooperativa, central para 'e-lixo' é oportunidade para quem deseja se desfazer de eletroeletrônicos de maneira sustentável.
 
 
Não sabe o que fazer com aquele micro velho, encostado lá na estante tomando poeira? Bem, se você mora na grande São Paulo, uma boa ideia é levá-lo para a Central de Triagem de Lixo Eletrônico, no bairro da Barra Funda.  Inaugurada há quatro meses, a central já recebeu cerca de 40 toneladas de material ao todo.
Gerenciada pela cooperativa de catadores Coopermiti, a central recebe todos os tipos de materiais eletrônicos, desde equipamentos de informática e celulares até eletrodomésticos. 
Segundo o diretor de operações, Sérgio Levin, o projeto ainda tem capacidade para até quintuplicar a quantidade média atual, chegando a 50 toneladas mensais.
“Hoje recebemos cerca de 10 toneladas de materiais, o que é pouco perto do que ainda podemos receber e perto da quantidade de equipamentos que são comercializados anualmente”, disse Levin.
Levin conta que, entre os materiais recolhidos, a maioria é composta de produtos de informática, sendo 40% gabinetes de computador e 30%, monitores.
Os equipamentos passam por uma triagem. O que funciona está sendo armazenado – a ideia é montar uma loja no próprio local para a revenda deles, diz Levin. O que não tem conserto é vendido como sucata. Peças muito antigas e/ou curiosas estão servindo para montar um "museu de informática".
A central também retira gratuitamente doações acima de 200 kg em toda a cidade de São Paulo. Basta fazer o agendamento pelo telefone 3666-0849, de segunda a sexta, das 8h às 17h.
Ao todo são 23 cooperados trabalhando em uma área de 2 mil m² cedido pela prefeitura de São Paulo, e gerenciado pela Coopermiti.

Sistema de mobilidade é o maior desafio para a Copa do Mundo do Brasil

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Garantir um sistema de transporte sustentável e eficiente é o grande desafio para a Copa de 2014/Foto: Agência Brasil
Para alguns especialistas, as melhorias no sistema de transporte são o legado mais evidente da Copa do Mundo de 2010 para a África do Sul. Com investimentos na casa dos R$ 2,8 bilhões, o setor de infraestrutura e transporte foi o que mais recebeu verba do governo e já demonstra benefícios nas ruas das cidades-sedes.
Trens que ligam o centro da cidade ao aeroporto, linhas de ônibus que circulam em faixas exclusivas de avenidas, novas estradas e melhores aeroportos são algumas das mudanças evidentes aos moradores do país que sediou o primeiro mundial do continente africano.
O professor universitário e coautor de um livro sobre a Copa do Mundo da África do Sul, Udesh Pillay, confirma as melhorias. Apesar de considerar que o Mundial, de forma geral, contribui pouco para o país que o sedia, ele destaca que a infraestrutura de transporte é exceção à regra.
“As estradas, o sistema de transporte público, os aeroportos, isso melhorou muito”, disse ele. “A Copa fez com que obras que deveriam ser feitas há muito tempo fossem iniciadas e concluídas.”
Garantir resultados semelhantes é a grande preocupação dos organizadores do evento que será realizado no Brasil dentro de quatro anos. Para alguns especialistas, o país tem a mesma deficiência de transporte público que os sul-africanos tinham e há dúvidas sobre a capacidade de algumas cidades de absorverem todo o movimento adicional de pessoas que circularão por suas ruas, avenidas e aeroportos.
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O governo garante que os investimentos serão suficientes e que os projetos estarão prontos em quatro anos
Governo garante investimentos
Segundo o Governo Federal, somente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana investirá R$ 7,68 bilhões em 47 projetos que visam melhorar os sistemas de transporte nas cidades-sedes da Copa.
Os investimentos federais, somados às contrapartidas estaduais e municipais, deverão totalizar quase R$ 67 bilhões destinados a facilitar o deslocamento dos que vierem assistir aos jogos no Brasil.
A promessa é que os 12 municípios passem por melhorias que incluem a construção de corredores de ônibus rápidos, os chamados BRTs (Bus Rapid Transit), construção de sistemas de transporte sobre trilhos, estações de transferência, terminais e sistemas de monitoramento, corredores exclusivos de ônibus e até um trem-bala que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro.
Contrariando a opinião do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, que afirmou que “falta tudo” para que o Brasil consiga organizar o evento em quatro anos, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira, informou que o programa da mobilidade urbana do governo está “bem adiantado”.
Não é o que pensa o diretor do Green Mobility Brazil e colunista do Portal EcoD, Lincoln Paiva. Para ele, mais do que pensar na infraestrutura, é importante criar mecanismos que financiem a infraestrutura calcada na demanda de mobilidade para corrigir o Gap (lacuna), quando a economia crescer.
“Antes de pensar na Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 é preciso pensar na mobilidade sustentável para 2020, incluindo obviamente os mega-eventos, crescimento econômico e os impactos nas dimensões sociais, ambientais e econômicas."
Mobilidade além da infraestrutura
Lincoln ainda lembra que será preciso lidar com outras questões delicadas, como restringir o uso de veículos individuais, aumentar a eficiência no consumo de energia e trabalhar o gerenciamento do trânsito em situações de grandes demandas de públicos.
“As empresas de engenharia e tráfego e transportes não estão preparadas para a demanda de deslocamentos que uma Copa do Mundo gera. Elas não tem ideia da demanda e da necessidade de transporte e trata o evento como se fosse um jogo de futebol entre Palmeiras e Corinthians, e não é”, compara.
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A construção de BRTs foi uma das medidas adotadas pelo governo africano e que também será empregada no Brasil
Outra questão defendida pelo especialista é incentivar a conscientização da população sobre o conceito de mobilidade sustentável e uso de transportes públicos. Ele exemplifica com dois exemplos vividos nas Copas passadas:
“A África do Sul criou BRTs, mas não desenvolveu a população para uma cultura de mobilidade sustentável. Em pouco tempo (se a África do Sul começar a crescer economicamente) o sistema entrará em colapso devido à forma como o sistema de trânsito e transportes são organizados”.
“Já a Alemanha trabalha há 30 anos o conceito de gerenciamento de mobilidade aliado a tecnologias inovadoras no setor de transportes. Estamos falando no país que inventou o carro. Apesar do alemão ter uma Mercedes ou um Porshe na garagem, ele sabe que o carro é um meio de transporte e o utiliza com racionalidade, usando para se deslocar os trens, metrôs, bicicletas e ônibus”, afirma.
Para Paiva, essa cultura será mais difícil de ser implantada no Brasil. “O brasileiro reclama que nosso transporte público não tem segurança e é de péssima qualidade, mas mesmo que fosse de primeiro mundo, o brasileiro qualifica transporte público como transporte de pobre e não usaria mesmo assim. O metrô brasileiro está entre os melhores do mundo e em muitos estados eles são pouco utilizados pelas classes A, B e C”, observa.
Apesar de todos os desafios, ele lembra que, caso o Brasil consiga transformar seus sistemas de transporte até a Copa do Mundo, poderá colher os frutos dessa revolução por muitos anos.
“Se pensarmos em infraestrutura o legado será em curtíssimo tempo. Agora se pensarmos em gerenciamento de mobilidade e uma postura sustentável em relação aos nossos deslocamentos, o legado será para sempre”, concluiu.

Em 2011, eletrodomésticos com selo Procel vão consumir ainda menos energia

Geladeiras, máquinas de lavar e fogões terão que seguir normas mais rigorosas de eficiência energética e consumir ainda menos energia elétrica; novos aparelhos devem chegar ao mercado a partir do segundo semestre do próximo ano
Fonte: Instituto Akatu Por Rogério Ferro 


A designer Alessandra Vaz passa muito pouco tempo dentro de casa, onde mora sozinha. Ela lava roupa uma a duas vezes por semana e usa o microondas, no máximo, três vezes por semana. No final de cada mês, a conta de luz nunca passa de R$ 18,00. Isso porque todos os seus eletrodomésticos têm o selo Procel com classificação A, que garante a maior eficiência no consumo de energia.
“Tive a sorte de começar a morar sozinha justamente quando havia o incentivo fiscal do governo para produtos de linha branca e fiz questão de comprar todos os aparelhos com o selo de eficiência energética. Valeu muito a pena”, festeja Alessandra.
O que ela não sabe é que agora, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), está revisando seus padrões para tornar ainda mais econômicos os produtos da chamada linha branca. Esses eletrodomésticos têm uma classificação de consumo de energia que vai de A, mais eficiente, ao E, menos eficiente.
Hoje, a maioria das geladeiras (90,5%), máquinas de lavar roupa (98,7%) e fogões (69,4%) fabricados no Brasil está dentro do padrão A. O Inmetro quer estabelecer critérios mais rigorosos para aumentar a garantia de eficiência energética dos eletrodomésticos.
Ou seja, eles têm que ser ainda mais econômicos. Segundo o Inmetro, com a revisão, apenas 5% dos fogões, 36% das geladeiras e 37% das máquinas de lavar roupa poderão receber o selo A de eficiência. Com isso, a indústria terá que se tornar mais competitiva e o consumidor terá mais opções.
Marcos Borges, Coordenador do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), explica que o processo de revisão está sendo conduzido em parceria com os representantes dos fabricantes, que ajudam a propor os índices de eficiência energética.
“Por essa razão, a primeira etapa é negociar com o setor produtivo quais serão os novos índices. Esse processo está em conclusão, e, até o começo de agosto, os novos regulamentos já deverão ser colocados em consulta pública por 30 dias. Em seguida, os comentários recebidos são analisados, consolidados e o regulamento final publicado. A partir daí, os fabricantes tem de 6 a 12 meses para se adaptar as novas regras”.
Na prática, o Inmetro espera que os eletrodomésticos mais eficientes estejam nas lojas no segundo semestre de 2011.
Mas atenção. Isso não quer dizer que consumidores como Alessandra, que já têm aparelhos com atual selo Procel, devem sair trocando pelos novos. “Esses aparelhos já são eficientes e devem ser usados até o fim da sua vida útil. Os consumidores que possuem esses eletrodomésticos já estão economizando bastante”, recomenda Heloisa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu.
“O que nós queremos agora é aumentar esses índices de eficiência energética e dispersar. Vamos ter menos aparelhos com classificação em A, algo em torno de 15%, 20% e fazer uma distribuição de 15% a 20% em B e assim por diante”, explica o diretor da qualidade Inmetro Alfredo Lobo.
Segundo Borges, sempre que ocorre um acúmulo nas classificações superiores, o Inmetro reclassifica os programas subindo os índices de eficiência. Borges, explica os benefícios da rotina.
“Um refrigerador hoje é, em média, 60% mais eficiente que um modelo de 10 anos atrás. Desde a implementação do selo Procel, cerca de 9 bilhões de reais deixaram de impactar na conta de energia dos brasileiros. Isso equivale a 40 meses de operação ininterrupta e máxima de Angra I, usina de energia nuclear localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro”.

Sinaenco lança a “Carta Verde” para a Copa 2014

A Carta Verde defende, que os investimentos nas arenas esportivas devem ser pautados pelos princípios e normas da construção sustentável (eco eficiência, redução da poluição, reciclagem etc.) e que a realização da Copa 2014 é o melhor momento para a implementação de ações ambientalmente corretas, como a despoluição de ícones turísticos – baías, lagos e rios, entre outros – e a promoção da universalização do saneamento básico no país. 
 

A Carta Verde será encaminhada ao presidente Lula, ministros do Meio Ambiente, Esportes, Cidades, Planejamento, Turismo, governadores e prefeitos das 12 cidade-sede, além de secretários estaduais e municipais das pastas pertinentes.

Conheça os doze tópicos da Carta:



1- Pautar pela sustentabilidade os investimentos em arenas, infra estrutura e outros empreendimentos voltados para a Copa, a partir das concepções dos projetos, abrangendo as diversas dimensões da intervenção sobre o meio ambiente.

2- Orientar os empreendimentos pelos princípios e normas da construção sustentável e, principalmente, aproveitar as águas das chuvas, assim como o reuso da água tratada, minimizar o consumo de energia elétrica, utilizar fontes renováveis e materiais recicláveis, inclusive o material de demolição dos estádios, e reduzir a emissão de gases geradores do efeito estufa.

3- Priorizar, nos projetos de mobilidade, as modalidades de uso coletivo e movido por biocombustíveis ou eletricidade, com redução do uso de combustíveis não renováveis.

4- Utilizar o projeto de arquitetura e engenharia como a ferramenta capaz de melhor compatibilizar, num empreendimento, a intervenção física e a dimensão ambiental, trabalhando para a redução e mitigação de impactos.

5- Inserir mecanismos na Lei de Licitações que incentivem as compras sustentáveis. Instituir incentivos fiscais e financiamentos especiais para empreendimentos sustentáveis.

6- Priorizar a construção de estruturas permanentes, e não provisórias, quando, analisadas as reais demandas, são necessários investimentos na ampliação da infra estrutura, no intuito de oferecer um verdadeiro legado para a população.

7- Ampliar a capacidade hoteleira de maneira sustentada, de forma que instalações não fiquem ociosas na pós-Copa.
8- Aproveitar o momento oportuno de coesão nacional para o desenvolvimento de amplas campanhas educativas, com foco em reciclagem e economia de recursos renováveis e não-renováveis.
9- Priorizar mão de obra local, quando for suficiente para atender as demandas, minimizando a imigração para as áreas das obras para as quais não haja sustentabilidade de empregos.

10- Valer-se do momento oportuno para despoluir os ícones turísticos – baías, lagos, rios - de cada cidade-sede e desencadear o processo de despoluição do litoral brasileiro.

11- Promover a universalização do saneamento básico no país, fundamentalmente nas 12 cidades-sede e suas regiões metropolitanas.

12- Aprimorar a limpeza urbana, com inserção de pontos de reciclagem nas cidades-sede.
Fonte: Jornal o Girassol

Está cada vez mais difícil achar água potável

Por Vinod Thomas e Ronald S. Parker*
A tarefa de fornecer água de boa qualidade onde ela é necessária está se tornando cada vez mais difícil em todo o mundo. Nas últimas décadas, os países têm feito investimentos em infraestrutura para aliviar a escassez, mas até agora, na maioria dos casos, a resposta a essa questão deixou de considerar o problema suscitado pela deterioração que os recursos hídricos vêm sofrendo. Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.

Em muitos lugares, mesmo onde a água ainda é abundante, a destruição ambiental tornou caro demais o seu uso. Em outros que desfrutam um bom suprimento de água, ela é usada de maneira imprópria. As prioridades podem ficar de tal modo viciadas que, embora as cidades continuem desesperadas à procura de água, agricultores estão irrigando árvores frutíferas ou plantações de algodão no deserto. Ainda menos aceitável é que a água potável esteja sendo usada para manter jardins e campos de golfe, enquanto os pobres urbanos são forçados a pagar caro por ela, a qual compram em baldes.

Por causa disso, cerca de 700 milhões de pessoas em mais de 40 países são afetadas pela escassez. A intromissão humana nos ambientes hídricos é também um problema crescente. Até 2030 a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 75% da população mundial estará vivendo em áreas costeiras, pondo em risco as terras úmidas que ajudam a limpar o ambiente aquático, além de expor centenas de milhões de pessoas aos riscos relacionados com a água associados às mudanças climáticas.

O Banco Mundial é o maior financiador oficial de investimentos em água nos países em desenvolvimento. Os compromissos de empréstimo na última década somaram por volta de US$ 55 bilhões, com a China e a Índia no topo da lista de mutuários, seguidas pelo Brasil e pela Indonésia. Os projetos hídricos, cobrindo da irrigação e da hidroenergia à gestão de mananciais e vias aquáticas interiores, mostraram nos últimos anos maior sucesso do que outros setores na realização de seus objetivos.

Perdura, no entanto, o desafio de atender às atuais necessidades de água e implantar, ao mesmo tempo, estratégias inovadoras para tomar em conta as futuras necessidades. As áreas de ênfase caem em cinco campos principais ao longo do eixo do desenvolvimento aquático e da gestão ambiental.

Primeiro, o grupo que mais sofre a escassez de água consiste de 45 países, dos quais 35 são da África, que tem pouca. É necessário que a sustentabilidade hídrica se torne central nos seus planos de desenvolvimento, com medidas dimensionadas para atender às suas necessidades urgentes. Mesmo países ricos em água, como o Brasil ou a Tailândia, podem vir a enfrentar deficiência, ao caírem os níveis em represas e de fontes naturais.

Segundo, os lençóis aquáticos subterrâneos estão cada vez mais ameaçados por exploração excessiva, fluxos ambientais inadequados e contaminação. O esgotamento mais grave de águas subterrâneas ocorre no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia. Os esforços necessários abrangem monitoramento da qualidade da água, melhoramento dos aterros sanitários e redução da infiltração de águas superficiais contaminadas nos lençóis freáticos.

Terceiro, a restauração de ambientes degradados pode ter grandes impactos. Um projeto de proteção de terras úmidas costeiras no Vietnã, por exemplo, ajudou a reduzir a área de erosão costeira em nada menos que 40%.

Quarto, as Nações Unidas estimam que 1,8 bilhão de pessoas ainda não terá acesso ao saneamento básico em 2015. Será preciso colocar mais ênfase não somente em soluções de baixo custo no saneamento básico, mas também em ligações domiciliares aos sistemas sanitários. Entre os países em desenvolvimento, registrou-se o maior progresso na Ásia oriental.

Quinto, os investimentos em abastecimento de água precisam ser combinados com a gestão da demanda. A agricultura é a maior usuária na maioria das situações, nas quais tecnologias que melhoram a eficiência não são suficientes para melhorar o uso da água. Uma recuperação de custos maior em projetos hídricos seria útil. Estabelecer cotas e forçar o seu uso no consumo de água, um enfoque relativamente recente, merece cuidadosa avaliação.

Mesmo quando são reconhecidas, tem sido difícil converter tais prioridades em ação. Quando os atores-chave se sentam à mesa para negociar a distribuição de água, o meio ambiente fica esquecido. Raramente existe apoio à recuperação de um aquífero em declínio se ainda se pode extrair água dele, à restauração de faixas úmidas protetoras ou à manutenção de um fluxo suficiente num rio, para que a fauna silvestre possa sobreviver e a intrusão salina, ser prevenida.

O apoio político à reforma é muitas vezes dificultado por graves lacunas na compreensão da situação hídrica de um país. Melhores dados, monitoramento sistemático e divulgação dos achados são essenciais para a mobilização de recursos e a ação. O compartilhamento de conhecimentos apoia, assim, os desembolsos financeiros e possibilita melhores resultados no terreno.

Uma maneira de abrir uma janela de oportunidade seria apoiar processos de monitoração que mandam informações relevantes aos interessados públicos e privados. O exemplo do Brasil mostra que, tornando dados de água disponíveis para o público na internet, isso ajuda a aumentar a preocupação dos interessados, o que também ajuda a mobilizar a vontade política necessária para confrontar problemas de águas arraigados.

*Respectivamente, diretor-geral e consultor no grupo independente de avaliação do banco mundial (Washington D.C.)

** Artigo pblicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo(Envolverde/O autor)
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