Stakeholder, esse desconhecido !

Interagir com os diversos públicos é o desafio para as empresas que querem manter relação de transparência com seus investidores e com a sociedade.
 
Acabou o “business as usual”. Ou seja, a maneira de fazer negócios e de gerir empresas mudou, e mudou muito para as organizações que pretendem se manter na ativa neste século XXI. Uma das transformações mais radicais está na forma como as empresas se relacionam com seus diversos públicos, ou stakeholders. Antes era simples decidir quais eram os grupos de interesse das empresas: resumiam-se a acionistas, funcionários, colaboradores e clientes. Hoje, definir quem são as pessoas e comunidades com as quais as empresas devem manter relações privilegiadas, quais opiniões são importantes e quais ações podem impactar de forma tangível ou intangível a empresa é um desafio ainda em aberto para muitas organizações.
Para muitos especialistas, a maior parte das empresas ainda não sabe como estabelecer um diálogo franco com seus stakeholders, diz o jornalista e consultor de empresas Fernando Rios: “É fácil quando a conversa é sobre dinheiro, com acionistas ou clientes, mas torna-se difícil quando envolve a sociedade”. As empresas, segundo Rios, não sabem ouvir as demandas sociais e, algumas vezes, não acreditam que tais demandas sejam legítimas ou tenham a ver com seu negócio. “Às vezes, é necessária uma intervenção da mídia para que as organizações cumpram seus deveres”, explica.
O jornalista e consultor em sustentabilidade Luciano Martins Costa menciona algumas dificuldades adicionais para que as empresas identifiquem claramente seus stakeholders. Para ele, em alguns setores esses personagens migram, trocam de posição em termos de relevância conforme a época do ano, ou conforme o estágio de um projeto ou produto. E cita como exemplo a relação entre grandes varejistas e seus clientes no momento de vendas maciças, como o Natal, e a natureza dessa relação no pós-venda. “No setor de mineração, como deve ser encarado e tratado quem vive numa favela à margem da ferrovia que transporta minérios? É um stakeholder? Como estabelecer e manter relações com ele e criar uma parceria para evitar acidentes que possam paralisar o fluxo de trens? Pouquíssimas empresas têm estratégias que contemplem essas sutilezas”, afirma.
Uma das maneiras consideradas mais eficazes de relacionamento com múltiplos públicos é estabelecer canais de comunicação de mão dupla. Vilmar Berna, um dos mais conhecidos jornalistas que cobrem temas socioambientais no Brasil, ganhador do prêmio Global 500 das Nações Unidas, vê na comunicação o calcanhar-de-aquiles desta relação. “Ainda há a cultura do ‘nada a declarar’, outras ainda acreditam na filantropia na relação com a sociedade, financiam projetos irrelevantes e acham que, com isso, estão comprando a lealdade de seus interlocutores”, explica. Para Berna, seria muito mais fácil se, ao errar, a empresa buscasse o diálogo com os públicos atingidos, montasse um sistema de monitoramento que incluísse a sociedade. “Isso cria um vínculo de confiança e respeito mútuo entre os stakeholders e os gestores da empresa”, explica.
Na construção de relatórios de sustentabilidade, uma das etapas é justamente o diálogo com os stakeholders. É parte do que os especialistas chamam de “materialidade” das ações relatadas. As empresas precisam validar aquilo que relatam junto a seus públicos, e este é um momento de muita expectativa e alguma tensão. Segundo Aron Belinky, também consultor em responsabilidade social, existe falta de preparo das organizações na hora de ouvir. “Algumas vezes a empresa ouve, mas não sabe o que fazer com a mensagem que recebeu, outras vezes as pessoas encarregadas de ouvir não gostam do que escutam e engavetam a mensagem”, explica. Ele acredita que as empresas não veem nessas práticas uma distorção e que “elas são normalmente explicadas com chavões do tipo ‘não podemos prejudicar nossas metas’, ou ‘o que foi dito não era importante’”, conta, com a experiência de quem já participou de centenas de reuniões com empresas.
Para o professor Evandro Ouriques, coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão das relações entre a empresa e seus públicos é cultural. “É preciso mudar as mentes para que as pessoas comecem a pensar de forma diferente nos processos de relacionamento e tomada de decisões”, diz. Ele criou uma metodologia de trabalho chamada Gestão da Mente Sustentável, em que procura alinhar palavras a atos concretos. Dessa forma as pessoas e empresas passam a atuar com foco mais objetivo e com maior possibilidade de sucesso. Ele acredita que uma interação organizada a partir de fatos e atitudes pode ser mais eficiente do que simplesmente discursos e intenções.
O fato é que as empresas estão muito despreparadas para incorporar opiniões contrárias aos seus interesses e reagir de forma positiva em relação a elas. Esse certamente é o grande avanço necessário nos próximos anos, e os relatórios de sustentabilidade jogam o tema sobre a mesa. Empresas inteligentes vão perceber que, antes de críticas, as opiniões contrárias são importantes dicas de como agir em um mercado em constante mutação. (Envolverde)
Material produzido em parceria pela Envolverde e pela revista Razão Contábil.

UFPA inaugura laboratório de energias renováveis

A Universidade Federal do Pará (UFPA) inaugurou oficialmente nesta segunda-feira (28/06) o Laboratório de Energias Renováveis e Eficiência Energética. A instalação foi construída para abrigar o Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), que, até então, desenvolvia os seus trabalhos em um espaço de 180m². A partir de agora, a equipe contará com 800m² de área construída e mais 1,2 mil m² para experimentações e treinamento de pessoal.


O Gedae é o grupo-líder do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-EREEA), um Instituto que inclui ainda outros grupos de pesquisa, sendo três da própria UFPA. João Tavares Pinho, coordenador do Gedae, destaca a importância da unidade para as pesquias. “Nós nos ‘espremíamos’ em 180m² no laboratório de Engenharia Elétrica. Agora, nós teremos mais espaço para desenvolver melhor as nossas pesquisas em fontes renováveis e eficiência energética".

Ligado à Faculdade de Engenharia Elétrica e funcionando desde novembro de 94, o Gedae tem dedicado os seus estudos a pesquisar e desenvolver tecnologias de baixo custo para atendimento de pequenas e médias demandas energéticas. Além disso, o Grupo também presta serviços na forma de consultorias e cursos à comunidade em geral.
O Laboratório foi construído com recursos provindos da Fundação Vitae, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Eletronorte. Além disso, o próprio prédio foi construído com uma arquitetura que visa a economia de energia elétrica, com soluções que minimizam a necessidade de luz e aparelhos de ar condicionado.

Copa 2014: Brasil vira foco e atrai empresas de TI

Estudo aponta grandes investimentos para o período de 2010 a 2014 passando por telecom, sistemas e capacitação profissional

A conjuntura econômica global propiciou ao Brasil pelo menos nos últimos dois anos uma visibilidade internacional que o País não conhecia há algum tempo. E não falamos apenas de carnaval e títulos de campeonatos de futebol. O bom momento da economia trouxe uma sucessão de boas notícias, como o grau de investimento, que culminaram com a escolha do País para sediar a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016. E esses dois últimos fatos farão com que o mercado interno se torne um polo de atenção global para diversos tipos de atividade.

"Tem empresas de TI vindo para o Brasil por conta da Copa e não necessariamente ficando no Rio de Janeiro ou em São Paulo", avisa José Carlos Pinto, sócio da área de assessoria da Ernst & Young, consultoria que divulgou o estudo "Brasil Sustentável: impactos socioeconômicos da Copa do Mundo 2014", produzido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa estima que serão investidos R$ 30 bilhões no País para a recepção do evento, valor que envolve estádios, urbanização, tecnologia, entre outros pontos. Mas o que mais impressiona na análise, é um ponto ressaltado por Pinto. "Esses investimentos têm uma repercussão muito complexa. Mas isso vai gerar uma movimentação adicional de R$ 142 bilhões." Essa geração de receita está compreendida ao longo de quatro anos, entre 2010 e 2014, e contempla, por exemplo, movimentação de turistas, consumo de telecom, entre outros.

O estudo não traz um investimento específico em tecnologia, mas alguns dados revelam que não será pouco. Apenas para acomodar o fluxo de informações e a capacidade de processamento estão previstos R$ 309 milhões. Eles usam como base o que houve na Alemanha em 2006, quando, em 32 dias, o evento gerou produção e tráfego de cerca de 15 terabytes de dados, o que exigiu a participação de mais de mil profissionais da área.

Outra ação importante que terá plena participação de TIC é a construção do International Broadcast Center (IBC), que demandará R$ 184 milhões, isso sem falar na atuação que as companhias de tecnologia e telecom terão nos International Media Centers (IMCs) que ficarão nos estádios e estão previstos nos projetos de adequação.

Até agora, apenas investimentos privados foram citados. Há ainda toda a expectativa em torno do Plano Nacional de Banda Larga, citado pela pesquisa, que deve receber R$ 13 bilhões de investimento público. E este projeto, em especial, é essencial tanto pelo legado social, que ficará a cabo da popularização da internet rápida para as diversas camadas sociais, e para dar conta de toda a banda que será utilizada com a chegada dos turistas e jornalistas de todos os lados do mundo.

Mas, de acordo com Pinto, as coisas estão caminhando. Ele afirmou que diversas companhias já estão com equipes trabalhando para a Copa. "Muitas já têm previsão de investimento e retorno. Em TI tem muita gente dedicada (à Copa)." O executivo lembra ainda que a tecnologia deixará muita coisa boa. Ele exemplifica com um software de gestão do estádio - bilheteria, evacuação de pessoas -, que pode vir da Alemanha, a fabricante está em busca de parceiros. Tem ainda, na questão da venda de ingressos, o sistema gerenciado pela MATCH, parceira da FIFA.
Além disso, há uma estimativa de geração de 3,6 milhões de postos de trabalho no mesmo período. "(O evento) ajuda posicionar o Brasil de forma diferenciada. Tem tido boa vontade (de todos os lados), mas pouca integração", alerta.

Inércias da sustentabilidade empresarial

Muito além da diversidade de práticas corporativas, entendimentos dos gestores e diagnósticos sobre dificuldades e desafios de posicionar e gerar valor entre os consumidores ao redor das propostas de sustentabilidade das empresas, existe uma série de questionamentos que se repetem na mídia, na agenda das companhias, nas conferências sobre responsabilidade socioambiental. Da mesma forma, repete-se o erro por trás da pergunta e das respostas ou “chutes” mais imediatos que acompanham tais questões.
 
1. Quanto melhor negócio é ser sustentável?

A abordagem pode ser especulativa para quem ainda não desenvolveu iniciativas, ou nascer da necessidade de justificar internamente os investimentos. O curioso é que a dúvida persiste apesar da confluência de evidências indicando:
A quase duplicação do consumo de premiação de grandes empresas percebidas como responsáveis no Brasil nos últimos 4 anos, atingindo hoje 22% conforme o Monitor de Responsabilidade Social;
O elevadíssimo e contínuo interesse sobre o comportamento ético e sustentável das empresas, que reúne ¾ do público geral, que não arrefece mesmo em momentos de recessão ou diante de escândalos corporativos;
A disposição de pelo menos metade dos consumidores a pagar um sobrepreço para prestigiar a produção mais sustentável.
Em termos crus e nus de mercado isso significa oportunidades e mais market-share por onde quer que se analise. E aí estão a explosão do consumo dos orgânicos (mais de 40% de crescimento anual só no Grupo Pão de Açúcar), o boom e o branding de excelência do Starbucks construído ao redor da aposta no comércio justo ou a volta por cima da Nike após o lançamento do Nike Trash Walk feito com material reciclado. No entanto, a dúvida inercial, quando não um ceticismo que acaba sendo corrosivo, persiste.
 
2. Mas, e como explicar as apostas sustentáveis que não vingam?

O exemplo da vez é o amaciante concentrado da Unilever, Confort Concentrado. As qualidades eco-eficientes do líquido concentrado poupam uso de água, reduzem a poluição química e geram uma economia para o usuário final, e ainda por cima ele custa menos que produtos concorrentes. Entretanto, seu baixo volume de vendas comparado com concorrentes vem sendo apontado como evidência do fracasso de uma proposta ancorada na sustentabilidade. Agregando insulto ao prejuízo, a revista Época faz gozação: “Só falta combinar com o consumidor”. 

Agora, bem, a experiência de pesquisas com testes de produtos e eficácia da comunicação revelam que o problema não costuma estar apenas na identificação de virtudes sustentáveis; de fato o problema começa pela dissonância que cria na cabeça do consumidor (principalmente para quem é responsável por lavar a roupa) a idéia de, por um lado, usar um produto concentrado cujo efeito deveria ser limpar melhor, poupar água e assim reduzir seu impacto ambiental, e, por outro, a automática associação de que um concentrado exigirá mais água para lograr um enxágüe satisfatório. O que emerge por trás das reações do público usuário da nova proposta não é a recusa às propriedades sustentáveis, e sim a associação de limpeza eficiente ao uso intenso da água, uma vez que o produto concentrado leva (na cabeça da maioria das consumidores) à exigência de um uso ainda maior de água para enxaguar efetivamente, todo o qual acabaria representando um risco maior ao meio ambiente e ao próprio bolso –não o contrário. Portanto, o foco da mensagem é que exige um redirecionamento mais educativo, levando em conta a cultura da limpeza e enxágüe no Brasil. 

Mas, o problema não pára por ai. Como todos os anos, nosso estudo Monitor de Responsabilidade Social traz o ranking das melhores empresas em RSC do ponto de vista do consumidor. Unilever não aparece entre as dez, mas sim aparece a Ypê, que concorre em vários segmentos com a primeira. E qual a razão disso? Naturalmente existem vários motivos, mas é só comparar as embalagens de ambas marcas para identificar pelo menos um deles de forma clara: o produto Ypê com seus selos de  qualidade ambiental (FSC), programa de defesa de florestas e indicações de recipiente reciclável dá várias dicas ao consumidor final sobre em que lugar ela aspira estar em termos de percepção pública da sua sustentabilidade; já a embalagem do Confort Concentrado...

A inércia de não comunicar adequadamente o atributo sustentável ou pular o entendimento de qual abordagem melhor ajuda o consumidor a identificar as virtudes sustentáveis de um produto (ao mesmo tempo em que se comunica com bumbos e tambores outros atributos como menor preço ou selos de controle de qualidade da produção) é mais uma das respostas inerciais do mercado corporativo engajado com a RSC.

3. E se é tão bom, porque o consumidor brasileiro não prioriza mais decididamente os produtos sustentáveis?

A pergunta costuma vir tanto de quem já incorporou uma gestão sustentável à estratégia dos negócios como de quem ainda está indeciso. A resposta seria outra pergunta: o que é que as empresas estão fazendo para entender como o consumidor decodifica o compromisso empresarial com a sustentabilidade? Quais sinais e pistas cognitivas traduzem para ele que a empresa está do lado da responsabilidade? Ou como conectar as qualidades sustentáveis de forma que gerem um impacto perdurável na cabeça do consumidor?

Hoje, menos de 2% do faturamento anual da indústria de pesquisa no Brasil resulta de estudos com consumidores ou formadores de opinião sobre sustentabilidade, consumo consciente ou impacto de programas e ações de RSC ou reputação corporativa. Entre os institutos especializados nessas áreas, o total de projetos desse tipo raramente ultrapassam 10% do seu faturamento. Conclusão: há uma escolha das gerências de marketing, pesquisa e comunicação por ignorar ou manter num degrau mínimo o conhecimento de como construir essa conexão e expandir o mercado sustentável de uma perspectiva consumidor-céntrica. A inércia leva, por exemplo, a manter um infinito número de projetos explorando o peso relativo de atributos (ou funções) de produtos muitas vezes indistinguíveis entre si mas que deixam o comportamento ético ou socioambiental do fabricante de lado, ou –então- a pesquisar a elasticidade de preço tolerada pelo consumidor, sem incluir o fator sustentabilidade. Fabricantes de celular sabem mais sobre a utilidade marginal de mudar o desenho do plug no aparelho do que a utilidade potencial de ofertar um aparelho cuja fabricação reduza a pegada ambiental do seu produtor. Companhias de varejo sabem muito mais sobre como alinhar produtos na prateleira para potenciar vendas casadas do que como destacar produtos cujos fabricantes têm credenciais socioambientais, de forma a potenciar a compra sustentável. A inércia vence mesmo entre várias empresas na dianteira do movimento pela responsabilidade social. 

4. Ajudar o consumidor a fazer escolhas responsáveis significa mais despesa em informação e publicidade?

O consenso na mídia, nas empresas e nas consultorias de que falta informação é tão unânime que chega a provocar desconforto. De fato, trata-se de mais uma resposta inercial. São sistemáticos os achados de estudos (como do Monitor RSC) indicando que o nível de exposição à informação sobre sustentabilidade empresarial não ultrapassa 30% da população adulta. São vários os institutos que apontam que uma parte substancial das compras (chegando até 70% delas) são feitas por impulso, sem listinha prévia e, portanto, sem o indivíduo chegar até a prateleira fantasiado de sujeito enciclopédico e racional como muitos modelos da economia e administração pressupõem. Conclusão: a informação ajuda, mas ela deve ser acessível, digerível e estar explicitamente presente no momento chave da compra: onde o produto está, isto é, na prateleira (cuja cenografia pode contribuir para quebrar as barreiras cognitivas do consumidor) ou na própria embalagem. 

Não se nega aqui o valor da publicidade, já que ela permite massificar a mensagem, contribuir para um branding mais efetivo ao redor de conceitos como sustentabilidade e até repassar mais detalhes dos compromissos socioambientais da empresa. O problema é que a publicidade sobre responsabilidade empresarial também costuma ser vítima de inércia. Um estudo feito pela Market Analysis analizando mais de 750 anúncios sobre RSC impressos entre 2003 e 2010 em revistas líderes de notícias gerais e empresariais revela que menos de 9% do conteúdo comunica os resultados obtidos com os programas socioambientais dos anunciantes. De igual forma, não mais do que 11% dos anúncios indicam os investimentos realizados. No mínimo é curioso que uma ampla maioria das corporações cujo ABC do planejamento envolve sempre o uso de indicadores claros sobre quanto se gasta e o que se obtém com esse gasto ignorem ambos princípios na hora de compor sua comunicação sobre sustentabilidade. Que isso aconteça com quase 80% do conteúdo anunciado sobre ações sustentáveis não apenas representa uma oportunidade perdida para alavancar a demanda por produtos e serviços sustentáveis de forma crível e transparente, mas implica também em queimar dinheiro das empresas. 

5. Mas... o balanço social não seria já suficiente para comunicar o que eu faço?
Nessa época do ano a palavra “balanço social” está na boca e na agenda de trabalho da maioria dos gestores de RSC. E com os balanços vão embora, também, recursos significativos, já que raramente produzir o relatório socioambiental é uma operação de pouco tempo e baixo custo. Mas qual é o impacto do balanço social? Quem lê o balanço social? Que retorno ele traz ou poderia trazer à empresa? Quanto o seu conteúdo está efetivamente alinhado com as metas defendidas, com os públicos declaradamente privilegiados, com as prioridades indicadas pelos consumidores e comunidades de relacionamento?

Nossas pesquisas com funcionários de grandes empresas que publicam balanços sociais no país indicam que pouco mais da metade se sente extremamente bem informada  sobre o que a organização faz em matéria socioambiental, apesar que 9 em cada 10 admitirem que, quanto mais responsável é a organização, muito mais motivados e leais eles se sentem como colaboradores. Por outro lado, nossos estudos com consumidores, como o Monitor RSC, apontam que para menos de 60% a publicação de um relatório anual sobre atividades socioambientais é fator de reputação, e só um em cada dois sabem da sua existência. Essa brecha revela vários desafios e não poucas oportunidades a serem aproveitadas. Ninguém está chamando o balanço social de supérfluo, mas ele certamente poderia fazer mais pelo prestígio e posicionamento da empresa na esfera da sustentabilidade se houvesse compreensão sobre como os diferentes públicos interpretam as realizações das empresas e as expectativas que eles nutrem sobre o que ela poderia fazer. Infelizmente a inércia vence e se multiplicam os balanços sociais sem saber efetivamente porque, para quem e qual sua contribuição. 
 
As inércias na maneira de abordar e interpretar os desafios de tornar a sustentabilidade não apenas uma rotina da empresa, mas também um mercado vigoroso e, portanto, um bom negócio representam um dos grandes riscos ao sucesso do movimento da responsabilidade empresarial. Na medida em que se ignora nova informação por hábito ou se responde em piloto automático os interrogantes essenciais do setor, tais inércias se parecem cada vez mais a uma profecia auto-realizada de fracasso anunciado. Desvendar as nuances de tais respostas pré-fabricadas e contrapor sua existência às evidências pode ser um passo certo rumo à diminuição das incertezas sobre como, por que e o que esperar de um futuro mais sustentável.

Quais as profissões sustentáveis do futuro?

Auditor de Energia, Professor de Sustentabilidade e Engenheiros estão entre as oportunidades futuras. 
 
Um estudo divulgado pelo Green Building Council dos EUA, estima que os projetos de construção ambientalmente corretos acrescentarão 7,9 milhões de empregos verdes e US$ 554 milhões para a economia americana até 2012. Além disso, o governo federal destinou US$ 750 milhões em bolsas de formação de postos de trabalho verdes como parte do American Recovery and Reinvestment Act, aprovado em fevereiro de 2009.
"Ultimamente, estão surgindo novas ocupações para as carreiras verdes", afirma Ezra Drissman, gestora de conteúdo do GreenCareersGuide.com, um site voltado a empregos verdes. Por exemplo, o Auditor de Energia é um profissional responsável por avaliar e determinar quais são as melhorias que devem ser feitas para aumentar a eficiência energética de casas, como o isolamento ou a substituição das janelas.
A Reeis Inc., empresa de serviços de eficiência energética, com sede em Scottsdale, Arizona, tem uma equipe de auditores de energia para atender os clientes.  “A maioria dos profissionais teve uma carreira na indústria da construção residencial e assim estava familiarizado com o modo de construir casas", afirma Todd Reeis Russo, presidente da empresa. "Por causa do colapso financeiro e do estado da economia, não há mercado para a construção de novas casas, assim o seu trabalho normal não está disponível para eles." 
Segundo Russo, um dos programas de formação mais amplamente reconhecido por auditores de energia é voltado para a obtenção de certificação do analista, oferecido pelo Building Performance Institute, um grupo de Malta. Os cursos do BPI são oferecidos em faculdades, empresas de serviços públicos e centros de formação nos EUA.
Uma outra oportunidade será na área da Educação para os Professores de Sustentabilidade. Quanto mais atenção é dispensada aos empregos verdes, mais centros de formação voltados ao segmento estão surgindo, como o Green Education Services, uma empresa sediada em Nova York, que oferece formação em tecnologia de construção verde e auditorias energéticas.
Zach Rose, CEO do centro, possui 11 funcionários, incluindo os instrutores que ministram os cursos. Rose diz que os professores não possuem graduação em Educação, mas possuem a experiência da vida real relacionada com a indústria da construção, como design de interiores e arquitetura. Se você estiver interessado em se tornar um Professor do verde, um primeiro passo é tornar-se credenciado LEED ou ter experiência em outros aspectos das construções sustentáveis. LEED, ou Liderança em Energia e Design Ambiental é uma certificação de edifícios verdes que confirma que a construção utilizou técnicas ambientalmente amigáveis. Os profissionais podem obter vários níveis de credenciais LEED por meio de uma série de exames. Mais informações podem ser encontrados no Green Building EUA.
Oportunidades também surgirão para os Engenheiros, tanto civis quanto mecânicos. Estes profissionais são necessários em projetos de construções "verdes", diz Tad Radzinski, presidente da Sustainable Solutions Corp, uma empresa de consultoria verde em Royersford. Os engenheiros civis podem ajudar a determinar o melhor local para um prédio verde e projetar sistemas para lidar com o escoamento da água, um fator importante em design ecológico. "Eles são as pessoas que vão começar a fazer o ordenamento do território", diz Radzinski. "Eles também têm que fazer a gestão de águas pluviais, porque, muitos dos trabalhos de construção verde, consideram a forma como gerimos a água da chuva e como a tratamos."
Enquanto isso, os engenheiros mecânicos podem ajudar o design do aquecimento, arrefecimento e sistemas de ventilação que são compatíveis com os padrões LEED e outras construções verdes. Para garantir empregos verdes em engenharia, a certificação LEED é sempre útil, afirma Radzinski. Algumas escolas, como Villanova University, e Stevens Institute of Technology em Hoboken, New Jersey, mantêm cursos de pós-graduação em engenharia sustentável.
Vendedor de equipamentos para energia eólica é mais um emprego do futuro. Com o IRS fornecendo créditos fiscais de até 30% do custo de sistemas de energia renováveis, tais como turbinas eólicas, não é nenhuma surpresa que muitas pessoas estão encontrando empregos verdes. Loree Long, co-proprietário da empresa de turbinas eólicas Win-Gen Power,  em Weatherford, Texas, diz que ela e seu marido Ted, vendem em média um sistema por mês, principalmente para clientes interessados em questões ambientais e de responsabilidade fiscal. “A maioria das pessoas querem ser verdes. Mas se você está economizando dinheiro ao mesmo tempo, é um incentivo muito bom", diz Long.
Para lançar seu negócio, Long entrou em contato com a Southwest Windpower, fabricante de turbinas eólicas em Flagstaff-Arizona, e participou da formação disponibilizada pela fabricante. Depois de instalar uma turbina em sua propriedade para garantir que era um produto de qualidade, eles começaram a vender em Dallas-Fort Worth, disse. A vendedora afirma que os interessados em se tornar vendedores de energia eólica deverão encontrar um sistema que eles gostam e entrar em contato com o fabricante. Grande parte do negócio é aumentar a conscientização sobre de turbinas eólicas.
Já os Especialistas em Climatização, realizam a readequação das casas com janelas novas, isolamento e outros produtos para aumentar sua eficiência energética. A climatização residencial é tão importante que recebeu US$ 5 bilhões do American Recovery and Reinvestment Act,disse Fred Humphreys, presidente do Home Builders Institute, o braço de desenvolvimento de força de trabalho da National Association of Home Builders. No entanto, faltam técnicos qualificados para realizar a atividade, o que está tornando o campo potencialmente lucrativo.  "É por isso que a formação é muito importante", diz Humphreys. "Não há empreiteiros qualificados o suficiente para fazer estes trabalhos, conclui."
Fonte: Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)

Pegue uma carona na onda verde!

Qual a última vez que você pegou ou deu carona com um desconhecido?

Talvez essa seja apenas uma lembrança longínqua da sua adolescência…
O que importa é que isso pode ser uma ótima solução para o caos das grandes cidades. Não só para diminuir o trânsito, mas também para evitar a emissão de milhões de toneladas de CO2. Está no ar o TipCar.
A ideia é simples: Você se cadastra rapidamente no site e oferece ou pede carona. Outras pessoas que têm o mesmo trajeto que você vão ver. Aí você localiza sua carona de forma rápida e inteligente. E pode usar todas as redes sociais - Comunidades TipCar, Orkut, Twitter, etc - para identificar o parceiro ideal ao seu perfil. Não se preocupe: você é quem decide como e com quem vai. E você ainda pode dividir os gastos.
E aí, queremos saber: o que te impede de dar ou pegar uma carona?

Relógio Sustentável movido a Limão e Açucar

Esqueça as baterias, pilhas e todo o lixo que produzimos quando elas perdem a utilidade! Com a questão da sustentabilidade ganhando força em todo o mundo, uma empresa norte-americana que fabrica produtos descolados para casas e escritórios, a Bedol, criou uma linha de produtos ecológicos. Entre eles, um que chama a atenção pela excentricidade: o “Eco-Friendly Water-Powered Clock”.

É um relógio-despertador que funciona, praticamente, a base de limonada. O aparelho possui um mecanismo composto por um conjunto de eletrodos que reagem e produzem energia a partir de um copo de água e algumas gotas de limão – para acelerar o processo.
Existe uma abertura na parte de cima do relógio, por onde deve-se colocar o líquido. A partir daí, ele funciona de seis a oito semanas e, na hora de reabastecer o aparelho, um chip de memória armazena as informações de hora e alarme. Ou seja, o usuário não precisa reprogramá-lo toda vez.
O relógio pode ser comprado, on line, por $ 16, no site da empresa, que atende vários lugares do mundo, inclusive o Brasil.