Consumo consciente e reciclagem geram perceria inédita !

Consumo consciente e reciclagem geram perceria inédita: Carrefour, Coca-Cola Brasil, Tetra Pak e Instituto Akatu se unem em ação a favor da conscientização ambiental
A partir do dia 12 de abril, por três meses, os consumidores que levarem as embalagens Tetra Pak de sucos Del Valle a uma das 10 lojas do Carrefour participantes da ação em São Paulo receberão R$ 0,30 de desconto na compra de outro suco da marca. Todas as embalagens coletadas serão doadas, beneficiando diretamente cooperativas e gerando renda para os catadores.
Além de estimular o engajamento da sociedade no processo de coleta seletiva e reciclagem, o esforço reforçará para o público o valor das embalagens no retorno à cadeia produtiva. Em cada loja, haverá ainda a demonstração do processo de reciclagem, feita pela Tetra Pak. "Acreditamos na força da cooperação entre indústria, fornecedores, organizações da sociedade civil e consumidores para alavancar ainda mais os índices de reciclagem no Brasil, que atualmente já ocupa posição de destaque no cenário mundial", afirma Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu.
As lojas Carrefour participantes são: Pinheiros, Pamplona, Morumbi, São Vicente, Santos, Santos Praiamar, Cambuci Lion, Campinas D. Pedro, Piracicaba e Campinas Dunlop.

Medição de energia elétrica ganha toque tecnológico!

O sistema de medição do consumo de energia elétrica na cidade de São Paulo está ganhando um toque a mais de tecnologia. Portas fechadas de restaurantes e lojas não serão mais um problema para os agentes responsáveis por contabilizar a quantidade de energia consumida durante o mês. A comunicação para coleta dos dados, agora, será feita via bluetooth!
“Eu tenho o medidor instalado no centro de medição do cliente, esse medidor é um medidor eletrônico onde é instalado um comunicador, um transmissor bluetooth, e outro receptor do bluetooth está instalado no coletor de dados. Com esse sistema de ligação é possível fazer a comunicação entre o coletor e o medidor sem a necessidade de estar frente a frente com o medidor”, explica Ricardo Nogueira, Gerente da Área de Faturamento da Eletropaulo.
Por enquanto, cerca de 300 comércios espalhados por toda capital paulista já estão testando a tecnologia. A fase de experiência termina em junho deste ano, e a previsão é de que até 70 mil estabelecimentos comerciais da cidade recebam a nova aplicação. Ficou preocupado com o bolso? Bom, não será preciso gastar nada, pois os medidores instalados já são adaptados para receber a troca de dados via Bluetooth.
“A senha do bluetooth é o número do medidor que está instalado, então, quando eu estou tomando a leitura do bluetooth ele está indicando qual é o número do medidor que eu estou tomando. Então, eu posso ter no centro de medição, vários medidores, um ao lado do outro, cada um com seu transmissor de bluetooth e ele vai identificar cada um”, diz Ricardo Nogueira.
A medição residencial também vai ter alterações. Ao invés de Bluetooth, a tecnologia usada será a de rádiofreqüência, que também permite a leitura do consumo mesmo sem acesso visível ao contador. Mas a mudança acontecerá apenas em residências que apresentam dificuldade de leitura manual. E nesse caso também não será cobrado nenhum valor para conversão dos medidores.
"O teste de laboratório nós já fizemos. Nós agora só estamos adaptando o software de leitura do coletor de dados para comunicar com o receptor da rádio freqüência. O nosso objetivo é estar em maio ou junho começando a fazer a instalação dos equipamentos”, afirma Ricardo Nogueira.
A leitura de consumo que realizamos neste restaurante na Zona Sul de São Paulo ocorreu sem problemas. Com apenas alguns toques na tela todas as informações foram lidas. A partir daí, os dados registrados percorremum pequeno caminho até serem definitivamente calculados.
“Uma vez coletado os dados de leitura no coletor de dados, no final do dia, esse dado é transmitido para o sistema de faturamento, onde é processado os cálculos e emitido a fatura no dia seguinte”, diz Ricardo Nogueira.
Agora nenhum cachoro bravo ou porta fechada vai impedir a leitura dos dados. É a tecnologia atravessando paredes! Aliás, essa relação entre tecnologia e eletricidade tem outros capítulos, como a transmissão de dados da Internet via rede elétrica. Confira o video aqui !

Sony lança o netbook Vaio W Eco no Brasil !

Em Janeiro a Sony havia lançado no mercado americano o primeiro netbook eco friendly, o Sony Vaio W Eco. Agora ele chegou ao Brasil.


A venda desde a semana passada o Vaio W Eco custa no Brasil R$ 2.099,00. Mas, se você estiver viajando para os USA lá ele custa 480 dólares + taxas locais. Mais barato mas você deve levar em conta que comprando lá a garantia não vale no Brasil e que o teclado não está adaptado para o português.
Desenhado para minimizar o impacto ambiental, o novo VAIO W210 Eco oferece tudo o que você precisa para uma computação diária. Feito com 80% de plástico reciclado, este notebook possui memória de 2GB, disco rígido de 320GB e sistema operacional Window 7 Starter para conectá-lo ao mundo virtual no estilo perfeito: você poderá baixar músicas, fotos ou simplesmente navegar na net. Com a câmera e o microfone integrados você também poderá realizar vídeo conferências com total liberdade. Sua tela de 10.1″ com impressionante resolução de 1366 x 768 irá reproduzir as fotografias e vídeos com vitalidade e detalhes incríveis. Este VAIO ainda acompanha bolsa de tecido feito de garrafa PET, para minimizar a utilização de caixas de papelão e sacos plásticos.
Importante: ele só está a venda nas lojas físicas, para diminuir o uso da embalagem de papel e a poluição com o transporte. Quer saber onde entre no link aqui.
Fonte: Jornal Propaganda & Marketing

Norma da ABNT estabelece diretrizes para uma gestão sustentáve



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Brotas / Foto: Ministério do Turismo


O turismo é um fator importante para a economia mundial e vem sendo objeto de estudo para se conseguir um desenvolvimento sustentável, já que interfere diretamente em aspectos ambientais, sociais e econômicos de uma região.

Acompanhando o desenvolvimento dessa área, novas normas de qualidade são desenvolvidas para que se a manutenção adequada de uma gestão sustentável seja respeitada.

Uma dessas medidas, uma das mais importante em âmbito nacional, é a norma ABNT NBR 15401 produzida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e sua Comissão de Estudo de Turismo Sustentável. Ela tem o objetivo de estabelecer diretrizes para uma gestão sustentável em empreendimentos hoteleiros.

Esta norma toma como base um ciclo denominado PDCA, que traz em suas siglas (em inglês) as seguintes descrições:
  • Plan (Planejar): planejamento de objetivos e estabelecimento de metas para alcançar resultados que estejam de acordo com a política de sustentabilidade;

  • Do (Implementar): implantação dos processos;

  • Check (Verificar): checagem e monitoramento dos resultados;

  • Act (Agir): ação de forma contínua no aperfeiçoamento do sistema de gestão.
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Porto Belo / Foto: Ministério do Turismo


Objetivo e princípios

A ABNT NBR 15104 tem como principal objetivo especificar e estabelecer critérios mínimos de desempenho relativos à sustentabilidade para o turismo. Para, assim, permitir que empreendimentos hoteleiros formulem uma política que levem em consideração as informações referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos.

De acordo com a norma, a sustentabilidade do turismo é fundamentada por um conjunto de princípios, que constituem a referência nacional para o Turismo Sustentável. São eles:
  • Respeitar a legislação vigente em todos os níveis nacionais e internacionais, aos quais o país é signatário;

  • Garantir os direitos das populações locais, promovendo ações de responsabilidade social, ambiental e equidade econômica;

  • Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade, adotando práticas de mínimo impacto sobre o meio ambiente e monitorando esses impactos;
  • Reconhecer e respeitar o patrimônio cultural e valores locais e colaborar para o seu desenvolvimento;

  • Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos
  • Garantir a qualidade dos produtos, processos e atitudes, por meio de avaliações da satisfação do turista e verificação da adoção de padrões de qualidade;

  • Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis de forma ética, visando engajar a responsabilidade social, econômica e ambiental de todos os integrantes da atividade.
ABNT disponibiliza a norma com mais detalhes e informações para gestores interessados em implementá-la. 

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Fachada do Hotel Lençóis, na Chapada Diamantina / 
Foto: Divulgação 


Hotéis certificados

Disponível no Brasil a partir de novembro de 2006, até agora a norma só certificou dois hotéis, ambos em Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia. O certificado mais recente foi concedido ao Hotel de Lençóis. Este trabalha de forma sustentável desde 1982, mas foi depois da norma que alinhou ainda mais sua gestão aos princípios da sustentabilidade.

“Nós aperfeiçoamos os cuidados com o meio ambiente através da reciclagem de lixo, da compra de madeira certificada, do uso de lâmpadas de baixo consumo e da implantação de energia solar”, afirmou o funcionário do hotel, Antônio Lima.

A certificação do hotel traz o respeito, mas também a vigilância do turista durante a sua estadia. “Na nossa caixa de sugestões, os hóspedes sempre deixam recados quando alguma coisa está mal orientada, reclamam quando usamos papel não reciclável e opinam sobre os lençóis e toalhas”, complementou Lima.

Em busca de credibilidade

As empresas turísticas estão cada vez mais interessadas em demonstrar o seu cuidado com o meio ambiente e buscam maneiras de gerir com responsabilidade ambiental, para ganhar credibilidade frente aos seus clientes.

Esse é um reflexo de uma sociedade cada vez mais preocupada com as questões ambientais e que começa a criar políticas de proteção destinadas a regular a qualidade e o desenvolvimento das organizações, de uma forma sustentável.

Através do sistema de gestão ambiental ISO 14001, o Brasil tem uma ferramenta de sustentação que auxilia o desempenho e a manutenção dos empreendimentos turísticos sustentáveis brasileiros. 




Certificação ambiental

Pesquisas mostram que edifícios sustentáveis reduzem em 30% o consumo de energia e em 50% o consumo de água. A procura pela certificação é grande, mas os desafios são maiores

Por Laurimar Coelho

Edição 155 - Fevereiro/2010


Divulgação: Ventura Corporate Towers
Edifício Ventura Corporate Towers (RJ) certificado na categoria Gold do Leed CS (Core and Shell Development Project). A principal dificuldade para certificar edifícios como esse é encontrar profissionais capazes de simular o desempenho energético do conjunto
No ano passado, a arquiteta Beatriz Pacetta, que trabalha na Incorporadora e Construtora Trisul, em São Paulo, recebeu uma tarefa: visitar e analisar uma área na cidade de São Carlos, interior do Estado, onde seria implantado um novo conjunto habitacional. "Quando vi aquela imensa área verde, com araucárias e uma topografia interessante, percebi que tinha tudo para abrigar um empreendimento sustentável", recorda.
De volta à Capital, Beatriz não pensou duas vezes. Conversou com outros coordenadores envolvidos no empreendimento numa tentativa de convencê-los a certificar o conjunto habitacional. Já tendo conhecimento sobre os selos e certificações existentes no mercado nacional, passou a analisar qual seria o mais adaptado. Entre os argumentos da arquiteta, estavam sua experiência nos tempos em que trabalhou na França visitando empreendimentos sustentáveis pela Europa e a viabilidade de aplicação da certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental), desenvolvido no Brasil a partir da certificação francesa Démarche HQE.
"Falei com vários colegas de trabalho sobre a possibilidade de certificarmos o conjunto, mas havia um certo receio de todos. Quando me dei conta, já estava na sala do presidente da empresa para convencê-lo da minha idéia e deu certo", conta satisfeita. O projeto de São Carlos foi o projeto piloto durante a fase de adaptação da certificação Aqua Residencial para o Brasil. Atualmente, está em fase de aprovação junto aos órgãos públicos.
No Brasil, são aplicadas atualmente duas certificações ambientais: o Aqua e o Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), de origem americana. Há ainda os selos Sustentax e Procel Edifica, ambos brasileiros (veja quadro).
A escolha de Beatriz pelo Aqua tem uma explicação: "É o único que foi estudado levando em conta a adequação aos critérios brasileiros. Ele propõe a avaliação do desempenho global do empreendimento, durante todas as fases do seu ciclo de vida".
O Processo Aqua fornece parâmetros de análise para o gerenciamento dos impactos do edifício sobre o ambiente exterior (ecoconstrução e ecogestão) assim como para a criação de um espaço interior sadio e confortável.
O engenheiro Manoel Martins, auditor da Fundação Vanzolini e coordenador do Processo Aqua, explica que a prática da certificação ambiental é compatível não só com a realidade dos projetos comerciais, como dos habitacionais no Brasil. "Ao investir na qualidade ambiental dos edifícios o retorno com economia de água e energia elétrica é excepcional. Na França, por exemplo, 80% dos empreendimentos habitacionais têm certificação e os não-sociais com certificação chegam a 25%."
Preconceito
Ser sustentável no Brasil não é fácil. Muitos consumidores duvidam da reputação e da qualidade dos produtos e serviços sustentáveis, porque confundem sustentabilidade com ecologia, baixa qualidade, rusticidade etc. Acham que tudo o que é sustentável é mais caro e não tem ampla oferta no mercado, além de desconhecerem os critérios que os tornam verdes. No Brasil, apenas 29% das empresas desenvolvem alguma ação de modo a organizar uma rede de fornecedores socialmente responsáveis e 31% possuem políticas para efetivar "compras verdes".
Paola Figueiredo, profissional acreditada pelo Leed no Brasil e diretora do Grupo Sustentax, diz que, em geral, 10% das empresas que buscam o selo não conseguem chegar até o final do processo, uma vez que, além do produto em si, são analisados produtos complementares, muitas vezes de empresas terceiras.
Paola salienta que os produtos atestados e edificações certificadas têm diferenciais competitivos, uma vez que atendem a requisitos nacionais e internacionais. "Quando começamos a trabalhar com o Selo Sustentax achamos que o segmento de produtos que possuem compostos orgânicos voláteis, como tintas, vernizes, carpetes, adesivos, colas, entre outros, seria o primeiro a buscar a obtenção do selo, dadas as questões de toxicidade e qualidade ambiental interna. Mas isso não aconteceu num primeiro momento. Tivemos, sim, uma grande procura por fabricantes, por exemplo, de pisos elevados, uma vez que no Brasil eles enfrentam uma concorrência acirrada. E hoje percebemos todos esses segmentos empenhados nesse objetivo, incluindo a certificação de produtos de limpeza."
Pesquisa divulgada pelo Ibope em 2007 já mostrava que 52% dos consumidores brasileiros estão dispostos a comprar produtos de fabricantes que não agridem o meio ambiente, mesmo que sejam mais caros (veja recomendações no site do Conselho Brasileiro da Construção Sustentável para compra de produtos verdes). E 98% dos brasileiros alegam que trocariam de fornecedor se um produto fosse certificado, no levantamento da Accenture sobre mudanças climáticas para os consumidores, em 2008.
Capacitação profissional
Pesquisas realizadas por empresas de consultoria especializadas no segmento de construções sustentáveis mostram que empreendimentos verdes reduzem em até 30% o consumo de energia, em 50% o consumo de água, em 35% a emissão de CO2 e em até 90% o descarte de resíduos, além de garantir um ambiente interno mais saudável e produtivo. Nelson Kawakami, diretor-executivo do Green Building Council Brasil, afirma que "a ideia da certificação não é impor limites ao mercado da construção civil e, sim, convidar os profissionais deste setor a participar de projetos sustentáveis de forma adequada. Estamos longe de ter um edifício 100% sustentável no País, mas caminhamos para isso. O Brasil oferece 95% dos recursos e da tecnologia necessários para este objetivo".
Na opinião do executivo, "ser verde não é ser mais caro, até porque o retorno financeiro do investimento ocorre em no máximo cinco ou seis anos. Hoje, grandes empresas multinacionais, como a Petrobras, por exemplo, buscam certificações ambientais em seus projetos. O que falta para o desenvolvimento deste segmento são verba e conhecimento".
Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design & Construção da Tishman Speyer - empresa gestora de investimentos imobiliários à frente dos projetos dos edifícios Rochaverá Corporate Towers, em São Paulo, e do Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro - ambos certificados Leed - afirma que a principal dificuldade enfrentada no processo de certificação é encontrar profissionais capacitados para fazer simulações de desempenho energético dos prédios. "Não basta projetar. É preciso comprovar a eficiência do edifício antes mesmo de sua conclusão por meio de softwares especiais. Alguns são sofisticados e outros até bem simples. Mas se você não sabe inserir corretamente os dados no programa não obtém resultados confiáveis."
Conheça os critérios de quatro certificadoras


Divulgacao: Leroy Merlin
Loja Leroy Merlin - Niterói (RJ)
Desde outubro, o Brasil mantém a primeira loja de varejo a receber a Certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental). Trata-se da unidade da Leroy Merlin - loja especializada em materiais de construção - que fica em Niterói (RJ). Quando resolveu certificar o empreendimento, o gerente de obras Pedro Sarro sabia que enfrentaria dificuldades para atingir seus objetivos, mas usou sua experiência pessoal em gestão de obras para alcançá-los. "A Leroy Merlin já contava com um projeto interno de sustentabilidade e resolvemos unir nossa experiência em gestão com essa iniciativa, aplicando tudo em uma de nossas unidades. Começamos pesquisando as certificações ambientais que já existiam no exterior, a exemplo do Leed. Mas vimos que no caso dessa certificação americana não havia muita relação com a nossa realidade. Optamos pelo processo Aqua, porque avalia a gestão e não somente o desempenho."
Mesmo a certificação Aqua, baseada na HQE francesa, precisava de ajustes. "O projeto da unidade de Niterói foi um piloto, porque estudamos juntos com o pessoal da Fundação Vazolini as adaptações que deveriam ser feitas no processo Aqua para adequá-lo à realidade brasileira", conta Sarro.
As dificuldades no início não foram poucas. O gerente de obras explica que foi preciso compensar alguns quesitos exigidos pelo Aqua e que o empreendimento não podia cumprir. "O processo prevê, por exemplo, que você deve utilizar material vindo do entorno do empreendimento em um raio de 200 km. Neste caso, como conseguimos atestar que nem tudo estava disponível nos arredores, isso foi possível compensar com outras medidas para atingir nossas metas de sustentabilidade como, por exemplo, o processo de reciclagem dos resíduos da obra."
Outras iniciativas favoráveis ao meio ambiente no empreendimento são o uso de piso de concreto polido, que dispensa cera ou removedor e requer pouca água para a limpeza; a criação de um depósito de 150 mil litros de água de reúso para os vasos sanitários, limpeza da loja e manutenção dos jardins; reaproveitamento do piso do antigo estacionamento que havia no local de implantação da loja; uso de tintas à base de água; válvulas sanitárias de duplo fluxo nos banheiros; mictórios que não utilizam água e nem produtos químicos na descarga; ar-condicionado com ajuste automático de temperatura; coletores solares para aquecimento da água e iluminação da fachada com leds, que gastam três vezes menos energia. A loja com mais de 17 mil m2 oferece 50% de economia de água e 17% de energia elétrica em relação a um empreendimento convencional deste porte.
O gerente lembra que não teria conseguido isso sem a ajuda de antigos parceiros da rede varejista. "Sem uma gestão eficiente da obra, tudo o que você planejou fica só no papel. É preciso contar com fornecedores em conformidade com seus objetivos de sustentabilidade e ainda ter mão de obra treinada, o que não é fácil porque o mercado da construção civil lida com profissionais nem sempre qualificados, como no caso de ajudantes de obra, por exemplo. Em geral, são pessoas que não conseguiram emprego em outras atividades que exigem maior nível de escolaridade e, ao trabalharem na construção, precisam ser orientados de forma correta."
Em todo o mundo, a Leroy Merlin mantém 800 lojas e a de Niterói, no Brasil, é a primeira a ser certificada. A obra levou 130 dias para ser concluída e todo o projeto - desde seu programa, concepção até a realização - exigiu oito meses de trabalho. Com a certificação, o custo da obra teve um acréscimo de 8%, mas Sarro calcula que o retorno financeiro deve acontecer em seis anos.
Marcelo Scandaroli
Rochaverá Corporate Towers (São Paulo)
Este complexo de escritórios de alto padrão em São Paulo recebeu a certificação Leed CS - Core and Shell Development Project, na categoria Gold, que comprova que o empreendimento atende a todos os requisitos necessários para aliar o máximo aproveitamento dos recursos naturais com a redução do impacto ambiental da construção - durante a obra e, também, no período de funcionamento do edifício. 
"Adotamos elevadores com sistema de antecipação de chamada e regenerador de energia para reduzir o consumo. O ar-condicionado também utiliza um sistema descentralizado, que possibilita seu desligamento quando não há usuários em um determinado ambiente", conta Milene Abla Scala, coordenadora do escritório de arquitetura Aflalo & Gasperini - responsável pelo projeto do complexo.
Para otimizar o funcionamento do sistema de refrigeração do edifício, houve um estudo detalhado da fachada, que ganhou planos inclinados e ficou com 59% de sua superfície opaca e 41% translúcida. Ela foi dividida em módulos para a realização de estudos do tratamento externo conforme a orientação solar.
As mesmas soluções implantadas em outros edifícios certificados projetados pelo escritório, como o Eldorado Business, de São Paulo, e o Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro, também estão presentes no Rochaverá, como o uso de vidros de alto desempenho, esquadrias com o máximo de estanqueidade, além da medição individualizada de água e energia elétrica. Somente a redução no consumo de energia elétrica deste empreendimento chega a 15%.
Para Milene, a certificação veio para reforçar um trabalho que no escritório já era focado no desempenho energético. "Ela traz uma abordagem ambiental que antes não era tão aprofundada no mercado nacional. Com a certificação, buscamos alternativas e nos surpreendemos com ótimos resultados obtidos a partir de soluções muitas vezes simples."
A arquiteta conta que em vários projetos no escritório houve a tentativa de utilizar persianas importadas e personalizadas, que são fabricadas de acordo com a orientação solar imposta ao edifício. "Mas descobrimos que apenas com o uso de vidro laminado, rolô e dimerização da iluminação junto à fachada, poderíamos obter uma eficiência energética superior."

Conjunto habitacional - São Carlos (SP)
O conjunto habitacional a ser implantado pela Incorporadora e Construtora Trisul na cidade de São Carlos (SP) poderá ser o primeiro empreendimento desta categoria a receber uma certificação ambiental no Brasil.
A empresa optou pelo processo Aqua, por julgá-lo adaptado à realidade brasileira. "É um modelo global que leva em conta os critérios de desempenho brasileiros", diz a arquiteta Beatriz Pacetta, coordenadora de arquitetura na Trisul. O conjunto, que atualmente está em fase de aprovação junto aos órgãos públicos, prevê a construção de seis edifícios de 12 andares cada, com seis apartamentos por andar, além de 167 casas com dois e três dormitórios cada. O local abrigava um antigo hotel-fazenda e oferece uma ampla área verde com mata nativa, que será recuperada e preservada, onde é possível encontrar espécies protegidas, como as araucárias.
"A busca pela certificação não é uma tarefa simples. Dificilmente um projeto atenderá a todos os itens existentes na certificação, mas é um excelente cheklist para se obter um projeto que respeite o meio ambiente", enfatiza Beatriz.
Para a arquiteta, o Brasil não está tão atrasado quanto se imagina em matéria de sustentabilidade. "Temos à nossa disposição excelentes profissionais e tecnologia suficiente para a obtenção de bons resultados", diz.
Além de um programa de preservação e manutenção da área verde, o empreendimento deve contar com soluções para a captação e o reaproveitamento da água da chuva, ventilação e iluminação naturais, reciclagem de lixo etc.
Outra iniciativa a ser implantada no conjunto habitacional é o sistema de informação ao usuário. "É preciso planejar muito bem a escolha de sistemas eficientes, para que haja uma real economia por parte dos moradores ao longo do tempo, a fim de garantir o resultado satisfatório das medidas implantadas em projeto", conclui Beatriz.
Divulgação: Ventura Corporate Towers
Ventura Corporate Towers (RJ)
Este edifício recebeu a Certificação Leed CS - Core and Shell Development Project, na categoria Gold, que trata da envoltória do empreendimento, suas áreas comuns e internamente com o sistema de ar-condicionado e elevadores.
Nas fachadas, a proporção entre as superfícies opaca e a translúcida (WWR) ficou em 58% translúcido e 42% opaco. O edifício incorpora vidros de alto desempenho, que reduzem os efeitos da incidência solar sem comprometer a entrada de luz.
Foram planejadas esquadrias com o máximo de estanqueidade, visando minimizar a penetração de ar (o que eleva a eficiência energética do sistema de ar-condicionado), sem comprometer a visão externa e a iluminação natural.
No quesito consumo, o Ventura conta com medição individualizada de água e energia elétrica. O elevador oferece sistema de antecipação de chamada (ADC) e regenerador de energia - que gerencia a energia gasta nas frenagens e arranques. Já o sistema de ar-condicionado é do tipo VRV (Volume de Refrigeração Variável), que opera individualmente por ambiente. Há, ainda, o sistema de dimerização da iluminação junto à fachada.
Para reduzir ao máximo o consumo de água, o edifício oferece reservatório para retenção de água de chuva com tratamento para reutilização. A água é destinada à irrigação. Há também o aproveitamento da água de condensação do sistema de ar-condicionado e em todo o edifício há aparelhos economizadores nas bacias, lavatórios e mictórios.
O projeto do Ventura priorizou o máximo de área verde permeável e o uso de acabamentos claros para evitar absorção de calor na cobertura. Os espaços destinados ao estacionamento têm ampla área coberta também para evitar ilhas de calor. Oferecem ainda vagas exclusivas para veículos movidos a álcool e GNV e um bicicletário.
No edifício, foram utilizadas madeiras certificadas e o projeto priorizou o uso de materiais fornecidos em regiões próximas ao empreendimento, minimizando o impacto com transporte na cidade. E o lixo produzido no empreendimento conta com depósitos especiais identificando baias e prateleiras para plásticos, metais, papel, papelão, vidro e orgânicos. 

>>> Confira o infográfico: Sistemas para edificações sustentáveis

Fonte: techne.pini.com.br 

Stakeholder, esse desconhecido !

Interagir com os diversos públicos é o desafio para as empresas que querem manter relação de transparência com seus investidores e com a sociedade.
Acabou o “business as usual”. Ou seja, a maneira de fazer negócios e de gerir empresas mudou, e mudou muito para as organizações que pretendem se manter na ativa neste século XXI. Uma das transformações mais radicais está na forma como as empresas se relacionam com seus diversos públicos, ou stakeholders. Antes era simples decidir quais eram os grupos de interesse das empresas: resumiam-se a acionistas, funcionários, colaboradores e clientes. Hoje, definir quem são as pessoas e comunidades com as quais as empresas devem manter relações privilegiadas, quais opiniões são importantes e quais ações podem impactar de forma tangível ou intangível a empresa é um desafio ainda em aberto para muitas organizações.
Para muitos especialistas, a maior parte das empresas ainda não sabe como estabelecer um diálogo franco com seus stakeholders, diz o jornalista e consultor de empresas Fernando Rios: “É fácil quando a conversa é sobre dinheiro, com acionistas ou clientes, mas torna-se difícil quando envolve a sociedade”. As empresas, segundo Rios, não sabem ouvir as demandas sociais e, algumas vezes, não acreditam que tais demandas sejam legítimas ou tenham a ver com seu negócio. “Às vezes, é necessária uma intervenção da mídia para que as organizações cumpram seus deveres”, explica.
O jornalista e consultor em sustentabilidade Luciano Martins Costa menciona algumas dificuldades adicionais para que as empresas identifiquem claramente seus stakeholders. Para ele, em alguns setores esses personagens migram, trocam de posição em termos de relevância conforme a época do ano, ou conforme o estágio de um projeto ou produto. E cita como exemplo a relação entre grandes varejistas e seus clientes no momento de vendas maciças, como o Natal, e a natureza dessa relação no pós-venda. “No setor de mineração, como deve ser encarado e tratado quem vive numa favela à margem da ferrovia que transporta minérios? É um stakeholder? Como estabelecer e manter relações com ele e criar uma parceria para evitar acidentes que possam paralisar o fluxo de trens? Pouquíssimas empresas têm estratégias que contemplem essas sutilezas”, afirma.
Uma das maneiras consideradas mais eficazes de relacionamento com múltiplos públicos é estabelecer canais de comunicação de mão dupla. Vilmar Berna, um dos mais conhecidos jornalistas que cobrem temas socioambientais no Brasil, ganhador do prêmio Global 500 das Nações Unidas, vê na comunicação o calcanhar-de-aquiles desta relação. “Ainda há a cultura do ‘nada a declarar’, outras ainda acreditam na filantropia na relação com a sociedade, financiam projetos irrelevantes e acham que, com isso, estão comprando a lealdade de seus interlocutores”, explica. Para Berna, seria muito mais fácil se, ao errar, a empresa buscasse o diálogo com os públicos atingidos, montasse um sistema de monitoramento que incluísse a sociedade. “Isso cria um vínculo de confiança e respeito mútuo entre os stakeholders e os gestores da empresa”, explica.
Na construção de relatórios de sustentabilidade, uma das etapas é justamente o diálogo com os stakeholders. É parte do que os especialistas chamam de “materialidade” das ações relatadas. As empresas precisam validar aquilo que relatam junto a seus públicos, e este é um momento de muita expectativa e alguma tensão. Segundo Aron Belinky, também consultor em responsabilidade social, existe falta de preparo das organizações na hora de ouvir. “Algumas vezes a empresa ouve, mas não sabe o que fazer com a mensagem que recebeu, outras vezes as pessoas encarregadas de ouvir não gostam do que escutam e engavetam a mensagem”, explica. Ele acredita que as empresas não veem nessas práticas uma distorção e que “elas são normalmente explicadas com chavões do tipo ‘não podemos prejudicar nossas metas’, ou ‘o que foi dito não era importante’”, conta, com a experiência de quem já participou de centenas de reuniões com empresas.
Para o professor Evandro Ouriques, coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão das relações entre a empresa e seus públicos é cultural. “É preciso mudar as mentes para que as pessoas comecem a pensar de forma diferente nos processos de relacionamento e tomada de decisões”, diz. Ele criou uma metodologia de trabalho chamada Gestão da Mente Sustentável, em que procura alinhar palavras a atos concretos. Dessa forma as pessoas e empresas passam a atuar com foco mais objetivo e com maior possibilidade de sucesso. Ele acredita que uma interação organizada a partir de fatos e atitudes pode ser mais eficiente do que simplesmente discursos e intenções.
O fato é que as empresas estão muito despreparadas para incorporar opiniões contrárias aos seus interesses e reagir de forma positiva em relação a elas. Esse certamente é o grande avanço necessário nos próximos anos, e os relatórios de sustentabilidade jogam o tema sobre a mesa. Empresas inteligentes vão perceber que, antes de críticas, as opiniões contrárias são importantes dicas de como agir em um mercado em constante mutação. (Envolverde)
Material produzido em parceria pela Envolverde e pela revista Razão Contábil.
(Envolverde/Razão Contábil)

Balada verde !

O primeiro clube noturno ecologicamente correto do Reino Unido abrirá as portas no próximo dia 10, no Bar Surya, em Londres. A notícia é do tablóide britânico Daily Mail. A maior atração da casa é a pista de dança, que, embalada pelo bate-pé dos baladeiros, ativa geradores capazes de fornecer 60% da energia elétrica do local. O clube também vai reciclar a água utilizada e servir drinks orgânicos. A entrada vai custar 10 libras (R$ 31,60), mas quem chegar a pé, de bicicleta ou transporte público entra de graça.
Novidade? Nem tanto. Em setembro, Roterdam, na Holanda, também terá seu clube com pista geradora de energia elétrica. Mais um sinal de que iniciativas verdes podem ajudar muitas empresas a ganhar visibilidade e se diferenciar da concorrência.
Fonte: Papo do Empreendedor